Preço da passagem entre Xique-Xique e Salvador levanta questionamentos

Imagem ilustrativa.

Rawan Machado ■ A discussão sobre o valor das passagens da Viação Cidade Sol nas rotas entre Xique-Xique e Salvador, em comparação com Irecê e Salvador, precisa ser feita com responsabilidade e profundidade. Não se trata de ataque, mas de debate público legítimo. Enquanto o trecho Irecê–Salvador, com duração média de 7h55, custa em torno de R$ 243,10 na categoria semileito, o trecho Xique-Xique–Salvador, com aproximadamente 10h15 de viagem, chega a R$ 297,50 na mesma categoria. É verdade que a distância a partir de Xique-Xique é maior, e é razoável admitir que isso impacta custos operacionais. A conta por quilômetro pode até parecer proporcional. Mas transporte intermunicipal não é mercadoria comum; é serviço público concedido, submetido ao princípio da modicidade tarifária e à função social.

O debate não pode ficar restrito à matemática fria da quilometragem. Ele precisa considerar o impacto social da tarifa. Xique-Xique não é apenas mais distante; é um município com menor dinamismo econômico em comparação com Irecê, que é polo regional consolidado. Quando o preço aumenta automaticamente pela distância, sem qualquer política compensatória ou transparência na composição tarifária, o efeito é regressivo: pesa mais justamente sobre quem tem menos. O passageiro de Xique-Xique paga mais, viaja por mais tempo, enfrenta um deslocamento mais desgastante e, ainda assim, possui menos alternativas de horários e menor poder de escolha.

O transporte para Salvador não é luxo. É acesso à saúde, ao Judiciário, às universidades, a oportunidades de trabalho e a serviços públicos essenciais. Quando a tarifa se torna excessivamente onerosa, cria-se uma barreira indireta ao exercício de direitos básicos. A discussão, portanto, não é se a planilha fecha; é se a política tarifária cumpre sua função social. Existe transparência na formação do preço? Há mecanismos de equilíbrio que considerem a realidade econômica dos municípios menores? Ou o modelo é puramente automático, baseado apenas em distância e custo operacional?

Questionar não é acusar ilegalidade. É exigir debate. Se o serviço é explorado por concessão pública, ele tem compromisso com o interesse coletivo. A modicidade tarifária não significa prejuízo à empresa, mas equilíbrio entre sustentabilidade econômica e justiça social. Quando a população começa a reclamar do valor da passagem, não é simples insatisfação: é sinal de que o transporte está pesando no orçamento real das famílias. E quando isso acontece, o debate precisa sair da lógica empresarial e entrar no campo da responsabilidade social.