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Pai, valeu. Obrigado!

O tempo foi cumprindo seu papel, dando forma e cores à vida. Retirando brilhos e risos de olhos e rostos. Roubando a maciez da pele e enrugando-a...

Até poucos dias atrás – simbolicamente -, eu vivia no encalço do meu pai. Subíamos e descíamos ladeiras, cortávamos trechos fechados, nos perdíamos no mato. Eu ainda um menino – não cresci tanto -, paparicado e protegido pelo meu pai.


O tempo foi cumprindo seu papel, dando forma e cores à vida. Retirando brilhos e risos de olhos e rostos. Roubando a maciez da pele e enrugando-a. Hoje, meu velho pai, que antes não temia nem frio nem vento, que mesmo de porte físico não avantajado, era destemido e trabalhador; hoje se curva ao tempo e às respostas da velhice. Já não anda, nem fala. Mas no seu calar, mesmo em relampejos momentâneos se pergunta sobre o que é a vida que, às vezes é bela e cheia de sonhos, às vezes é negra e pesada, sem cor e vida.


Meu velho pai, que às vezes tenta expressar seus sentimentos num choro, num toque de mãos já não apresenta mais a mesma vida e vontade de seguir adiante. Mas ainda é e será aquele ‘cara’ que sempre se lembrou e elogiava os meus rabiscos, as minhas ‘estripulias’.
Mas valeu. Ainda está valendo.


Pai, obrigado, feliz DIA DOS PAIS. Adiantado ou atrasado, não importa.

 

Erasmo Deterra.