19 de dezembro de 2017

Policlínica, benefício ou não para Xique-Xique?

Xique-Xique, que já foi referência na área de saúde em toda micro região, não é diferente, e tem sua situação agravada com o descaso dos gestores que fizeram da saúde do Município, ao longo de décadas, um balcão de negócio, sem qualquer investimento; hoje padecemos e dependemos de outras cidades.

É de conhecimento de todos, principalmente dos que buscam o atendimento médico hospitalar, que a saúde no Brasil está na UTI, afetando, principalmente, as classes mais baixas que necessitam do sistema público, que se encontra totalmente falido.

 

Xique-Xique, que já foi referência na área de saúde em toda micro região, não é diferente, e tem sua situação agravada com o descaso dos gestores que fizeram da saúde do Município, ao longo de décadas, um balcão de negócio, sem qualquer investimento; hoje padecemos e dependemos de outras cidades.

 

O governo do estado da Bahia, na tentativa de amenizar a situação da saúde no Estado vem investindo em regiões estratégicas na tentativa de amenizar o sofrimento da polução e, além de vários hospitais construídos na capital, vem também, implantando nas microrregiões, hospitais e Policlínicas para atender a população baiana de forma mais eficaz, não deixando os municípios a mercê da capital que acaba sobrecarregada.

 

Dentre as regiões atendidas com as Polínicas, está a de região de Irecê que deveria atender 22 municípios, entre eles, Xique-Xique. Para tanto, os municípios deveriam aprovar através das Câmaras, Lei que autorize o município a fazer o convênio com o Estado.

 

Em 2016 a Câmara aprovou a Lei autorizando Xique-Xique a fazer parte deste projeto da Policlínica, onde o governo do Estado faria toda infraestrutura e arcaria com 40% dos gastos de manutenção e operação, e os municípios assumiriam 60%.

 

Projeto executado, pronto e inaugurado em dezembro de 2017, onde os 22 municípios pagariam R$ 0,90 (noventa centavos) por habitante, e no caso de Xique-Xique com mais ou menos 48 mil habitantes, desembolsaria em torno de R$ 43 mil, para ter acesso a vários serviços, dentre eles, exames e procedimentos médicos de alta complexidade, que até então só seriam possíveis na capital, de forma cara e particular, ou através da fila do SUS.

 

Já aderiram às Policlínicas 99% dos municípios em várias microrregiões da Bahia e, contrariando a adesão de todos, o prefeito de Xique-Xique, Reinaldo Braga Filho vetou o Município de participar do convênio, deixando a população sem os vários serviços, muitos com custos altos como tomografia, ressonância e tantos outros.

 

O prefeito afirma que o Município pagará por serviços que já existem em Xique-Xique e que os demais prefeitos aderiam ao convênio sem nada questionar. O assunto rendeu muitas discussões não somente na cidade, como também na região e até fora do estado, onde críticas não foram poupadas ao prefeito por não pensar no bem da população.

 

Em entrevista à rádio Cactus FM, o prefeito Reinaldo Filho chegou a afirmar que um dos motivos que não participaria do convênio era pelo o fato de que todo o reconhecimento sócio político da obra seria do governo do Estado. Tal afirmação foi criticada pela população de Xique-Xique, pois o prefeito evidenciou que está mais preocupado com o status político e a eleição do ano que vem, do que com o povo do Município, como se cada cidadão xiquexiquense não valesse meros R$ 0,90 por mês.

 

Levantamentos junto ao TCM do primeiro semestre de 2017, ainda sem todos os dados na área de saúde contabilizados, demonstram que o Município vem gastando valores elevados com saúde fora do Município, com aluguel, transporte, combustível, alimentação, mão de obra etc., demonstrando que o prefeito Braga está na contra mão do que afirma onde, segundo ele, Xique-Xique tem muito dos serviços prestados pela Policlínica. É de conhecimento de toda a população que o Município, hoje, não tira uma simples radiografia, a não ser através de clínicas particulares.

 

Em denúncia através de carta pública, um dos médicos que atendiam no Hospital Julieta Viana, e que deixou o Município, foi exposto o descaso como tratam a saúde no Município, onde afirmou o médico Carlos Gamacho que o povo estava morrendo de doença medieval por falta de medicação, e até papel faltava na unidade de saúde.

 

Diante da oportunidade em que 99 prefeitos abraçaram [as Policlínicas] em toda Bahia, firmando convênio com as Policlínicas, fica a pergunta: Será se o prefeito de Xique-Xique está certo, e os 99 prefeitos estão errados? Ou o alcaide xiquexiquense pensou mais na eleição e na política do que no povo que o elegeu na esperança de ter uma melhor saúde?

 

Edgardo (Gal) Pessoa Filho.