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Nathália Figueirêdo - Graduada em Medicina pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, especializada em Medicina do Exercício e do Esporte pelo Hospital Geral de Caxias do Sul, Universidade de Caxias do Sul - RS. E-mail: nathfigueiredo@yahoo.com.br

Março de 2011
Diabetes, exercícios e alimentação
Alimentação equilibrada e atividades físicas são grandes aliados no controle da doença

A diabetes é uma doença crônica (doença crônica: doença que leva um tempo longo para se instalar e permanece por tempo longo) caracterizada pelo aumento do nível de açúcar no sangue. Por que isso acontece?


A insulina é o hormônio produzido pelo pâncreas que faz o transporte do açúcar no sangue para dentro das células, onde ocorrerão as reações químicas responsáveis pela energia que sustenta a vida delas. Quando há falta deste hormônio, ou quando as células do corpo resistem a ação dele, teremos o acúmulo de açúcar no sangue, a hiperglicemia, que caracteriza a diabetes. Esta doença pode afetar vários órgãos ao mesmo tempo, o que chamamos de doença sistêmica. A hiperglicemia afeta principalmente os pequenos vasos podendo prejudicar o funcionamento correto de órgãos como os rins, os olhos (retina) e os nervos, causando nestes uma sensibilidade diminuida que afeta todo o corpo, principalmente os pés e as mãos.

 

Como saber se você tem tendência a ter ou desenvolver diabetes? Fique de olho, existem alguns sinais que devem ser investigados por um médico para que esta doença seja descoberta e tratada o mais rápido possível. Para começo de conversa, é indicado que todas as pessoas acima de 45 anos, mesmo sem sintomas, meçam a glicemia pelo menos a cada três anos, se o valor desta estiver normal. Se houver alguma alteração neste valor ou se a pessoa tiver algum fator de risco para o diabetes, deve-se intensificar esta investigação ou até fazer os exames antes desta idade. Já quem estiver apresentando muita sede, que não sacia mesmo bebendo água, idas frequentes ao banheiro para urinar, comendo como se tivesse um “saco furado na barriga” e mesmo assim perdendo peso, tem que ligar o sinal de alerta e procurar o médico para que este realize uma investigação melhor.  Não pense que você é imbatível, a diabetes está cada vez mais se tornando frequente na população, e pode bater a sua porta quando menos esperar, se não evitar os fatores de risco que podem ser controlados, como o controle do colesterol, da pressão alta, da obesidade e do sedentarismo.

 

Nos Estados Unidos, a diabetes se tornou um problema grave de saúde pública. Dados publicados pelo Centers for Disease Control (CDC) mostram que em 2002 18,2 milhões de americanos apresentavam esta doença. Em 2010 o número foi de 25,8 milhões e mesmo com todas as campanhas que o governo americano realiza, parece que 7 milhões ainda não sabem que estão diabéticos. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que 220 milhões de pessoas pelo mundo apresentem diabetes hoje. No Brasil, a última contagem oficial foi feita em 1988, e 7,6% da população entre 30 e 69 anos estava doente.


Se você já faz parte desses números e toma remédios para controle, tão importante quantos as medicações é praticar atividades físicas regulares e ter uma alimentação saudável e equilibrada. O grande inimigo da alimentação do diabético é o carboidrato. Como muita gente acha que quem possui esta doença precisa, apenas, evitar comer açúcar, começa a descontar a forçada abstinência de doces comendo pães, macarrões, batatas, risotos, farofas sem muito controle e preocupação. Que mal pode haver nesses alimentos se eles são salgados? Se o problema é o açúcar, eles não farão mal algum e podem ser ingeridos a vontade! Conclusão ERRADA!! Talvez este seja o grande erro na alimentação da maioria dos diabéticos. Esses alimentos são “açúcares disfarçados” que apesar de possuírem um gostinho salgado são ricos em carboidratos, que nada mais são do que açucares. O diabético não é proibido de comer este tipo de alimento, porém deve haver um controle. A Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), assim como outras sociedades mundiais que estudam sobre o assunto, preconiza que seja feita uma contagem de carboidratos a serem ingeridos pelos diabéticos em suas refeições, pois de nada adianta o uso da insulina e os outros remédios se não houver a colaboração da dieta do diabético. Portanto cuidado com o que come, procurar um nutricionista e seguir as orientações são fundamentais para o bom controle dos níveis glicêmicos adequados.


As atividades físicas também são indispensáveis na luta contra a diabetes descontrolada. Mas tome cuidado, alguns exercícios não são indicados para quem tem a doença. Diabéticos que possuem neuropatia periférica ou alteração vascular periférica devem evitar exercícios de muito impacto nos pés, afinal esta prática pode causar ferimentos nesses membros que não sejam notados pelos diabéticos ou que tenham um cicatrização mais difícil podendo se tornar úlceras.

 

Já os que possuem retinopatia (retina do olho comprometida) devem excluir da sua lista de atividades, esportes de contato que possam atingir diretamente o olho, como o boxe ou outras lutas marciais, para não correrem o risco de terem hemorragias no olho e eventualmente apresentarem cegueira. Pacientes diabéticos devem preferir exercícios mais seguros que não sejam tão demorados, pois o risco do açúcar no sangue baixar demais (hipoglicemia) também existe, e pode trazer como consequêcias desmaios, tremores, sudorese, palidez, vômitos e mal estar. O recomendado é praticar atividades que usem o açúcar como principal fonte de energia, ou seja, exercícios aeróbicos em intensidade moderada, por exemplo a caminhada ou a natação, pois além do benefício de ganhar condicionamento físico, pode diminuir a necessidade de uso da insulina e dos outros remédios em diabéticos que necessitam usar estas medicações diariamente.


E então, vai ficar na frente da TV assistindo programas que falam de saúde, achando que funcionam como vacinas contra as doenças, ou vai tomar a atitude de levantar do sofá e começar a cuidar da saúde para valer? Alimentação equilibrada e atividades físicas são seus grandes aliados na luta contra o descontrole desta doença. Xô diabetes!

 

Nathália Figueirêdo – Médica especialista em Esporte e Exercício. CRM-BA 19630

Fevereiro de 2011
Hipertensão e exercício
A prevenção da hipertensão resume-se basicamente na combinação entre exercícios físicos regulares, controle de peso e alimentação balanceada.

Quem nunca ouviu falar em pressão alta? Mas o que significa uma pressão de 12 por 8? Profissionais de saúde tendem a abreviar a expressão correta, que seria 120/80 mmHg, e chamá-la apenas 12 por 8. Mas, o que este valor quer dizer? O coração funciona como uma bomba e é responsável por bombear o sangue, que circula nos vasos sanguíneos, e a força com que este sangue sai do coração tem que ser suficiente, para que este circule por todos os vasos e orgãos do corpo. Esta força inicial é chamada de pressão sistólica, e corresponde ao valor mais alto (120 no nosso exemplo); a pressão diastólica, o valor mais baixo (80 no nosso exemplo), é a pressão que é exercida pelo sangue nas artérias no momento em que o coração está em sua fase de relaxamento, entre uma contração e outra.

 

Como saber se a pressão está mesmo alta? Valores iguais ou acima a 140/90 mmHg, tomadas pelo médico, em pelo menos duas visitas ao seu consultório, já diagnostica a doença.

 

De acordo com a Sociedade Brasileira de Hipertensão estima-se que esta doença atinja no mínimo 25 % dos adultos brasileiros, chegando a mais de 50% da população acima dos 60 anos e está presente em 5% das crianças e adolescentes no Brasil.

 

A hipertensão arterial é uma doença com várias causas diferentes. A má alimentação combinada com o sedentarismo e o estresse do dia a dia, seja com o trabalho, o trânsito ou a família são os principais causadores dessa doença tão comum. Algumas pessoas ainda possuem uma predisposição genética, ou seja, uma “herança de família” para desenvolver este mal. A pressão alta quando mal tratada pode desenvolver outras doenças muito graves, como o aumento e mau funcionamento do coração, a insuficiência cardíaca, a cardiomiopatia dilatada hipertensiva, o AVC (mais conhecido como derrame cerebral) e lesão nos rins que alteram a filtração do sangue, podendo causar insuficiência renal. Além destas complicações mais comuns, ainda pode causar cegueira e disfunção erétil nos homens.

 

Mas como prevenir o desenvolvimento desta doença tão comum e nociva? A formula é simples e se resume basicamente na combinação entre exercícios físicos regulares, controle de peso e alimentação balanceada com pouca ingesta de sal. Além disso é importante medir a pressão pelo menos uma vez por ano em pessoas que não possuem a doença, e uma vez por semana em quem já tem a doença instalada.

 

Quais exercícios devem ser feitos e quais não são indicados para os hipertensos? O ideal é que antes de praticar exercícios físicos, principalmente pessoas com mais de 35 anos, se procure um médico, de preferência especialista em exercícios, para que seja feita uma avaliação minuciosa pré participação e, a partir desta, sejam indicados os exercícios que trarão mais benefícios à saúde daquela pessoa. No geral, são indicados para portadores de pressão alta exercícios aeróbicos, como a natação, a caminhada ou o ciclismo, combinados com os exercícios resistidos (aqueles que usam peso, ou seja, musculação). Estes exercícios devem ser feitos em uma intensidade moderada e não necessitam de acompanhamento médico se a pessoa não possui nenhuma doença do coração. É lógico que é importante o acompanhamento de um profissional qualificado, porém o benefício de realizar o exercício compensa o risco de não ter acompanhamento profissional, em pessoas sem doenças prévias. Um outro ponto importante na questão: “exercício físico na hipertensão”, é que pacientes com esta patologia não devem realizar  exercícios isométricos (contração de um grupo muscular por um período de tempo contínuo, por exemplo, segurar um peso por muito tempo), pois estes fazem com que a pressão se eleve muito durante o exercício.

 

A atividade física regular possui ação anti-hipertensiva direta e indireta (controle de peso) na pressão alta, portanto é fundamental no controle e prevenção nesta doença tão frequente. Se ainda não pratica nenhuma atividade física, está esperando o quê para começar, hoje mesmo, a sua prevenção contra hipertensão arterial? Mãos a obra!

 

Nathália Figueirêdo - Médica do Exercício – CREMEB 19.630

Janeiro de 2011
Emagrecer: Combinação entre alimentação correta e intensidade de exercício
O segredo do exercício, para quem está realizando uma dieta com intenção de redução de gorduras, está no controle da intensidade.

Nathália Figueirêdo - Quem está na luta contra a balança para emagrecer uns quilinhos já sabe muito bem que é preciso combinar exercícios com dieta balanceada. Ao comer menos, se ingere uma quantidade menor de calorias e, ao praticar atividades físicas, é possível gastá-las mais rapidamente em um período menor de tempo.

 

Com base nesta simples equação, gastar mais calorias do que ganhar, alguns apressadinhos na corrida pelo corpo ideal resolvem pular o café da manhã e suar a camisa ainda em jejum. Mas será que existe algum prejuízo à saúde?

 

Exercícos em jejum apresentam grande risco de causar hipoglicemia (“baixa do açúcar do sangue”), principalmente em pessoas diabéticas. Isso pode causar um desconforto, seguido de mal estar, tonturas e até vômitos  caso o indivíduo insista em manter a atividade física sem se alimentar. Este risco aumenta ainda mais em pessoas que praticam atividades de grande intensidade, como uma corrida ou uma pedalada rápida.

 

O segredo do exercício, para quem está realizando uma dieta com intenção de redução de gorduras, está no controle da intensidade. Ele deve ser de leve a moderado, durando no mínimo 30 minutos diários e pelo menos três vezes por semana segundo a Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte. Uma caminhada, por exemplo, deve ser feita sem que a pessoa chegue a ficar muito ofegante. Tem de conseguir conversar durante o exercício, caso contrário a intensidade está muito elevada. E se estiver mesmo elevada, o que acontece? Haverá queima de menor quantidade de gorduras!

 

O objetivo do esforço em quem aposta na dobradinha “menos comida e mais exercícios” é queimar aquelas gordurinhas indesejadas. Se a intensidade está demasiadamente elevada, as benditas gorduras podem permanecer ali, quase intactas, enquanto o desgaste vai ser maior nos músculos. Isso acontece quando o organismo não tem mais combustíveis (carboidratos) disponíveis para queimar, e já foi gasto o “estoque” que fica armazenado na forma de glicogênio nos músculos e no fígado. Sem essa reserva de energia, o organismo começar a se utilizar da proteína muscular para se manter funcionando. Ou seja, ele passa a queimar a massa magra, a massa muscular, em vez de gordura.

 

O treino, na intensidade certa, vai fazer com que o organismo retire a gordura do músculo e que, durante a fase de recuperação, o músculo reponha esta gordura utilizando as reservas que ficam armazenadas no tecido adiposo.

 

Portanto, uma alimentação leve, pelo menos 30 minutos antes da prática de exercícios, é mandatória para quem não pretende passar mal durante a atividade física. E se a intenção é emagrecer, é preciso não exagerar na malhação de uma vez só, tentando fazer verdadeiras maratonas de exercícios em um único dia.