Inaldo Brito | Assistente Administrativo do Serviço de Manutenção da Hemobrás, Graduando em Gestão Financeira – UNINTER; Técnico em Administração. Contato: inaldobnunes@hotmail.com.
17 de junho de 2018 | Inaldo Brito

No Brasil, empreender é andar em círculos

Infelizmente, somos adestrados nos ensinos básico e superior a buscarmos a realização profissional como funcionários do governo.

Empreender no Brasil tem sido uma tarefa extremamente difícil. A burocracia para se conseguir abrir uma empresa parece mais uma escalada ao monte Everest, onde nem o mais experiente dos alpinistas se aventuraria. Na internet, é possível ver a piada, que não deixa de ser verdadeira e trágica ao mesmo tempo: “Se Bill Gates tivesse nascido no Brasil e começado seu negócio em uma garagem, estaria hoje vendendo CDs piratas no centro do Rio”.

 

A liberdade para se empreender ou investir é quase nula neste país. Não se pode confiar na justiça para manter a ordem e o cumprimento de contratos. Não se pode confiar na segurança “oferecida” pelo Estado. Não se tem facilidade e agilidade para regularizar startup’s. A burocracia é a trave de qualquer negócio. Em países com melhores posições no índice de liberdade econômica, são necessárias poucas etapas para a abertura de uma empresa. Na Nova Zelândia, por exemplo, consegue-se legalizar no mesmo dia em que se dá entrada no Órgão competente. No Brasil, são pelo menos 100 (cem) dias. Isso é um acinte. O melhor funcionário do mês, no Brasil, é o burocrata; ele consegue executar de forma exímia sua função todos os dias.

 

Com todas essas dificuldades, a maioria dos brasileiros se contenta em apenas ser empregado de terceiros. Outros conseguem ser empregados do governo, tornam-se funcionários públicos. Infelizmente, somos adestrados nos ensinos básico e superior a buscarmos a realização profissional como funcionários do governo. O problema é que não há esse tipo de trabalho para todos, além de que o setor público é mestre em possuir profissionais mal aproveitados em suas funções. E se não fosse pior, o salário no setor privado possui uma grande lacuna em comparação ao público. O que boa parte dos funcionários públicos não sabem é de onde provêm os seus gordos salários. Alguns acham que o estado possui um cofre de onde tira o dinheiro todo mês para pagar os seus colaboradores. Não deixa de ser verdade. Esse “cofre” chama-se setor privado, que é quem sustenta o funcionalismo estatal. O setor privado se vira como pode para pagar taxas, impostos, licenças e toda sorte de encargos inventados pelo Estado. Em vez de proporcionar mais liberdade na abertura de empresas, estimular o empreendedorismo como forma de crescimento econômico da nação, o Estado prefere continuar espremendo o empresário e o empreendedor até que desistam de seus sonhos.

 

Ludwig Von Mises em seu livro Burocracia – título bem sugestivo para a nossa realidade – destrincha como o governo, com suas leis e regulamentações, atrapalha mais do que ajuda o empreendedorismo. Ele diz: “O imiscuir-se do governo nos negócios resulta, invariavelmente, nas mesmas e desastrosas consequências: paralisação da iniciativa e fomento do burocratismo.” Hoje a genialidade e criatividade de jovens se perdem na burocracia e no marasmo do funcionalismo público, pois o Estado sempre buscará ter mais controle, nem que para isso mantenha o país no subdesenvolvimento econômico.

 

Num país onde se formam empregados e não empreendedores ou empresários, defender a iniciativa privada e o fim da burocracia exigida para abertura de negócios deveria ser o primeiro passo para a mudança na mentalidade legisladora que acomete a classe política.

18 de maio de 2018 | Inaldo Brito

Hipocrisias (des) governadas por uma ideologia

Na mente hipócrita é assim: socialismo pra vocês, capitalismo para mim

Existe um termo que deveria ser o meio para medir o índice de rejeição e aceitação de um político, e ele se chama hipocrisia. No entanto, como realizar tal análise se a maioria da população cai nesse mesmo erro?

 

Vemos quase que diariamente políticos de partidos socialistas e sociais-democratas prezando por defender com unhas e dentes o desarmamento populacional civil. O político e seus asseclas creem que defender a posse e o porte de armas seria entregar uma arma a cada pessoa sem nenhum tipo de critério para tal. Não sabemos se tamanha reflexão provém de má-fé ou de ignorância mesmo. Entretanto, vemos que ele se torna um hipócrita quando, ao defender o desarmamento, confia sua integridade física a seguranças ARMADOS ou fomenta que um certo Movimento pegue em armas, se necessário, para defender o seu “messias” populista, caso ele seja preso. Desarmamento pra vocês, segurança armada e milícia para mim!

 

Vemos também algo parecido quando políticos defendem mais “investimentos” de dinheiro público nas escolas e universidades públicas, hospitais públicos, transportes públicos e qualquer serviço que se enquadre como público, embora eles (os tais políticos), na mínima doença que o acometem, buscam hospitais privados, matriculam seus filhos em escolas particulares – isso quando não acabam enviando seus filhos para estudarem em universidades estrangeiras –, utilizam carros particulares ou Uber para seus trajetos ao trabalho, entre outras dissiparidades. Infelizmente, nesse caso, tal comportamento acomete até mesmo muitos funcionários públicos, que vestem a camisa do setor público para exigir privilégios transformados em “direitos” e que são contra a qualquer tipo de privatização de empresas públicas, mas se entregam quase que de corpo e alma aos serviços privados. Público pra vocês, privado para mim!

 

Tal comportamento hipócrita vem à tona também quando certos intelectuais orgânicos de um partido – artistas, cantores e todo tipo de formadores de opinião – vão às ruas defender menos utilização de carros e motos, com a justificativa de se reduzir a emissão de gases poluentes à camada de ozônio, mas voltam para suas residências utilizando os mesmos veículos que protestavam contra sua utilização.

 

E como exemplo final, mas não menos importante, podemos ver o mesmo procedimento naqueles defensores de medidas socialistas na economia e que crucificam o sistema capitalista como explorador e selvagem, guiados pela luta de classes do marxismo. Esses se arvoram na pretensa ideia de que qualquer coisa que remeta a lucro ou bens de consumo é ultrajante para os menos favorecidos. Levados por um ressentimento pueril, eles advogam o socialismo como o verdadeiro sistema econômico eficaz para um país, só se esquecem de informar as consequências drásticas que o socialismo proporcionou em países que o adotaram. Como exemplo, é só olhar para a Índia de Gandhi, a Venezuela de Chávez, a Cuba de Fidel, a China de Mao entre outros semelhantes. E o comportamento hipócrita de tais defensores do socialismo se revela com toda sua pompa quando em suas viagens ao estrangeiro, muitos deles preferem ir a países capitalistas (vejam só!) e se esbaldam na compra de seus iPhone’s, iMac’s e todo tipo de produto que países capitalistas propiciaram à sociedade em geral, mas nem se dão ao trabalho de visitar ou passar férias em qualquer dos países socialistas espalhados pelos continentes. Na mente hipócrita é assim: socialismo pra vocês, capitalismo para mim.