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Edilson Rocha - Servidor público e Cinegrafista. É colaborador do Página Revista. Contato: edilsonrochasantos@hotmail.com |
O Ano de 2012 chegou e, aos poucos, o povo xique-xiquense começa a levantar saudáveis discussões em torno dos possíveis nomes dos candidatos a prefeito e a vereadores do Município, visando ao pleito de outubro deste ano.
Alguns nomes já andaram surgindo como pré-candidatos, destacando-se em maior ênfase os sonhadores com a vaga de prefeito – principal cargo público do Município e que, historicamente, causa disputas bem acirradas durante suas campanhas.
É claro que a campanha eleitoral ainda está distante, mas nem por isso o povo xique-xiquense fica esperando o período oficial para discutir política, que, sem nenhuma dúvida, faz parte do seu cotidiano.
É importante salientar que, em meio aos ares da política de Xique-Xique, existem os políticos importados, que são aqueles oriundos de outros municípios e eleitos com a contribuição de votos xique-xiquenses, mas que nada conhecem sobre as características, as peculiaridades, enfim, do Município e muito menos sobre as obras e serviços realizados pela atual administração local.
Para que não se pairem dúvidas, um desses políticos importados em questão é o deputado estadual Cacá Leão, do PP, que, recentemente (não sei se antes ou depois) em convenção do partido para a apresentação de um nome à pré-candidatura a prefeito de Xique-Xique, concedeu entrevista à rádio comunitária da cidade.
Na oportunidade, o deputado do PP chegou à insensatez de atacar justamente alguns dos pontos mais fortes e elogiados da gestão do prefeito de Xique-Xique, Reinaldo Filho: a limpeza pública e a educação. Segundo o deputado, ambos setores estavam relegados na atual administração Municipal.
Num outro momento, demonstrando o quanto não conhece nosso município, afirmou com muita contundência que, durante a campanha eleitoral, irá ajudar seu pré-candidato, supostamente mais adiante como seu esperado candidato oficial da oposição, a “descer e subir ladeira”. Isso mesmo, “descer e subir ladeira”, o que, inevitavelmente, causou uma pergunta não pelo repórter da tal entrevista, mas de vários ouvintes em conversas de rua: “Por acaso Xique-Xique tem ladeira?”
Grande parte de alguns políticos importados que dizem ser representantes de Xique-Xique precisa conhecer este município, suas obras e seu povo. Precisa se informar melhor sobre o que é Xique-Xique e o que ele, como município, representa nos cenários político e econômico da Bahia. Precisa pesquisar suas administrações passadas e conhecer a atual. Precisa certificar-se do crescimento e progresso ou não da nossa cidade. Isso o ajudaria a evitar discorrer assuntos que não domina.
Final do ano chegando, festas com comes-e-bebes em residências e clubes sociais, presentes a amigos e parentes, comércio mais movimentado, lembranças, ainda que poucas, do suposto dia do nascimento de Jesus Cristo. Isto é Natal!
O Natal lembra comércio e, como moro em Xique-Xique, me levo a analisar a situação comercial do Município, tanto em relação a todo o ano, em termos gerais, como também a este período, quando a circulação de dinheiro é maior e, por isso, tendente até a melhorar o mercado de trabalho, com contratações temporárias de funcionários.
Paralelamente a essas contratações, que de fato dão um grande impulso a economia de Xique-Xique, não tenho como não observar a quantidade e qualidade dos estabelecimentos comerciais que se instalaram na cidade nos últimos anos.
Anos atrás, muitos consumidores xique-xiquenses, em face das poucas opções comerciais do Município, partiam até a cidade de Irecê e até mesmo a outros recantos baianos para realizar suas compras, tanto durante o período natalino, como também em algumas datas mercantilistas festejadas em parte do ano: Dia dos Namorados, Dia das Mães, Dias dos Pais, etc.
Ao me reportar à quantidade e qualidade dos estabelecimentos comerciais que se instalaram nos últimos anos em Xique-Xique, quero, com isso, apenas atestar o quanto está explícito o inquestionável crescimento econômico deste município, graças a um ótimo desempenho da atual Administração Pública Municipal, é claro, que paga em dia seus funcionários, bem assim em virtude da atuação de lojas dos mais variados setores, que vão desde a comercialização de bijuterias até eletroeletrônicos, entre outros.
Fico triste ao ouvir, vez ou outra, através de emissora de rádio local, principalmente da parte de ouvinte que nem mora aqui, que Xique-Xique é uma cidade miserável, que não cresce, que não progride.
Ora, se a nossa cidade é tudo isso que certos ouvintes afirmam, por que então constantemente estão sendo instalados novos estabelecimentos comerciais em Xique-Xique, oferecendo produtos e opções de preços os mais diversos?
Creio, por exemplo, que no caso das lojas de grande porte, que integram importantes redes de varejo, decerto seus proprietários e/ou seus analistas de negócios comerciais fazem pesquisas quanto às viabilidades econômicas, técnicas, geográficas nas cidades onde pretendam instalar suas filiais. E em Xique-Xique eles devem ter adotado este procedimento bem antes de colocar uma filial aqui.
Xique-Xique não é a cidade miserável como alguns poucos ouvintes insistem afirmar. Se assim fosse, não haveria nela um crescimento tão notório do seu comércio, embora, plagiando um comentário do radialista Jorge Meira, da Tribuna do Vale, qualquer setor comercial que queira obter sucesso em suas vendas deverá fazer um bom atendimento aos consumidores e ter qualidade e bons preços de seus produtos.
O atendimento melhorou, a qualidade e os bons preços do comércio de Xique-Xique, da mesma forma. E, assim, como otimista que sou, enxergo para a nossa cidade um futuro com perspectivas ainda muito melhores, a começar por este Natal, que a todos os xique-xiquenses desejo ser ótimo, cheio de paz, amor, saúde e, por que não, de muitas notas de “din-din”.
Em virtude de minha procura de estar sempre atualizado com as notícias do mundo, me vejo todos os dias usando as ferramentas de comunicação que tenho disponíveis no momento, tais como televisão, rádio e blog – as duas últimas, entretanto, responsáveis de fato por informações mais específicas sobre as questões relacionadas a Xique-Xique.
No caso das rádios, vejo que é notória uma participação enorme dos ouvintes nos programas musicais, principalmente em emissora de pouco alcance de cobertura do nosso município - situação bem diferente da participação dos ouvintes em programas de cunho mais informativo, em que numericamente é bem inferior, sobretudo quando discorrem sobre assuntos pertinentes à política e à economia locais.
Há quem diga que programas deste tipo veiculados em emissoras de rádio são os que mais conquistam altos índices de audiência, ainda que os ouvintes que deles participem não sejam mais do que meia dúzia de pessoas, sempre as mesmas, quase que diariamente.
O restante da população, claro que não em sua totalidade, ouve essas pessoas, as quais, por conseguinte, diante de simples telefonemas em participações ao vivo, se portam como verdadeiros artistas de rádio, nas suas mais variadas vertentes, que vão desde o estilo dramático até o comediante.
As interpretações desses “artistas” para os leigos são incríveis e merecedoras de elogio. Entretanto, para aqueles que não são experts e nem leigos, tais desempenhos de dramaturgia – no caso, radiofônicos –, não passam de um verdadeiro engodo, pois seus protagonistas mentem excessivamente e, por isso, são sempre derrotados em sufrágios eleitorais, tanto como candidatos, como também simples eleitores, justamente porque nas urnas a verdade os destrói, sem quaisquer rastros de piedade.
A meu ver, os “artistas” radiofônicos precisam ser orientados por seus familiares e/ou amigos – teoricamente as pessoas que melhores condições possuem para convencê-los – de que a mentira é indispensável na interpretação de personagens no mundo da dramaturgia, mas que, no mundo da vida real, sobretudo político, dificilmente nos dias de hoje poderá ter influência sobre os cada vez mais conscientes eleitores de Xique-Xique.
Mentirem como tem mentido esses “artistas” em suas participações em rádio de nossa cidade é um ato de desespero, típico daqueles pugilistas que sobem aos seus ringues totalmente derrotados, mesmo antes de iniciarem suas lutas.
Afirmarem, da forma mais cínica possível, que Xique-Xique continua a mesma de anos atrás é, no mínimo, um despeito sem precedentes por conta do sucesso administrativo do Município nos últimos seis anos. Querem ser cegos, mesmo sem sê-los.
Xique-Xique não é a cidade mais desenvolvida do Brasil, mas também não é a pior, como muitos demagogos assim insinuam. É, sim, uma cidade com problemas como qualquer outra do País. No entanto, cresce, apesar das críticas de toda natureza às questões do atendimento hospitalar público, cujos repasses de recursos são subordinados ao Governo do Estado e ao SUS e não à Administração Pública Municipal.
Tais “artistas” radiofônicos precisam sair de trás dos seus aparelhos de telefonia, esquecer um pouco a comodidade de conceder entrevistas eleitoreiras dentro de estúdios de rádio e vir fazer visitas às inúmeras obras realizadas entre os anos de 2005 e o mês atual de novembro de 2011 E, se mesmo assim, não conseguirem enxergar as obras, tomem a iniciativa de se submeter a exames numa clínica oftalmológica.
Há poucos dias, após uma de minhas participações num dos programas de rádio de Xique-Xique, fui questionado, em conversa informal com amigos, sobre as razões, segundo eles, de eu combater tanto o Partido dos Trabalhadores.
Respondi-lhes que não gosto mesmo do Partido dos Trabalhadores e que ele não é a única agremiação política que tem a minha antipatia. Eu não gosto de nenhum deles, apesar de parte de minha juventude apontar que fui militante atuante do Partido Comunista do Brasil (PC do B), em Xique-Xique, entre o final dos anos 80 e início dos anos 90.
Embora fosse um militante por convicção do PC do B, apreciava bastante o partido da estrela, mesmo observando que muitas de suas ações eram exageradamente radicais, como, por exemplo, a proibição de compor alianças e coligações com determinados partidos, sobretudo dos que continham em suas bases pessoas com históricos políticos ligados a governos do regime militar, a latifundiários.
Esse pensamento retrógrado do PT não foi à frente e, em 2002, finalmente, após várias tentativas, o Partido dos Trabalhadores conseguiu ter Lula presidente do Brasil, numa coligação envolvendo o PC do B, o PMN, o PCB e o PL, partido que, anos antes, era considerado lobo mau e inimigo petista.
Notemos, portanto, que o fato de o Partido Liberal (atual Partido da República) ter feito parte da coligação petista em 2002 demonstrou que o partido de Lula estava, aos poucos, se abrindo aos partidos com os quais tanto travava suas diferenças políticas e ideológicas, deixando de lado a ética em sua histórica linha socialista e compondo uma aliança com um partido mais próximo dos seus antes criticados ideais capitalistas.
Em 2003, o PT assumiu o poder político do País e, para garantir apoio na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, não teve qualquer constrangimento de cometer os mesmos equívocos que tanto combateu quando estava na oposição. O PT no governo Lula, em parte dos seus oito anos no poder, fez uso da prática do “toma-lá-dá-cá”, rateando cargos e imputando influências espúrias em troca de apoio aos seus projetos dentro do Congresso Nacional, tendo, inclusive, alguns dos seus membros envolvidos num escândalo que ficou conhecido como Mensalão do PT.
Pelo que observo, todos os partidos são muito parecidos e o povo brasileiro não vota nos candidatos por influência daqueles, mas sim no carisma e outras características dos candidatos, caso de Lula, cuja história política somada à sua origem humilde sobrepõem a importância de qualquer agremiação partidária.
Partidos como PT, DEM, PMDB, PC do B, PDT, PSB, PSDB, entre outros, não são muito distintos uns dos outros. Eles têm estatutos, mas poucos são os seus membros que os conhecem e os fazem efetivamente funcionar. Na hora das negociações, da troca de favores, dos acordos visando garantir espaços políticos, todos fazem a mesma coisa, inclusive o PT.
Na questão local, duvido muito, por exemplo, de que a maioria do povo de Xique-Xique irá se ater aos partidos pelos quais estarão se candidatando os representantes tanto da situação como da oposição nas eleições municipais de 2012. Creio que a maioria dos políticos é de homens e mulheres dígnos, competentes, mas não por fazerem parte de um ou outro partido. Enfim, não gosto de partidos políticos no Brasil, inclusive este PT de hoje.
Edilson Rocha - edilsonrochasantos@hotmail.com
Mesmo longe de ser um idoso, pude viver tanto na era da ditadura militar, como também na era da democracia. E, com isso, me sinto à vontade, se acaso eu quisesse, para fazer uma pequena análise de ambos os períodos, opinando, dentro de minha modesta experiência de vida, sobre os pontos positivos e negativos de cada um.
Em futuras oportunidades, talvez, aqui mesmo no Pagina Revista, eu até venha a expor um pouco o meu singelo ponto de vista sobre esses dois períodos, em termos gerais, envolvendo a economia, a saúde, o trabalho, o esporte, a cultura, entre outros aspectos, que mexeram com os hábitos e costumes de vida do povo brasileiro.
Como quero discorrer apenas sobre um único aspecto, me agarro no desejo de protestar e lamentar os motivos que levaram a redemocratização brasileira, após o fim dos anos de chumbo em 1985, a excluir da rede pública de ensino duas disciplinas que, pelo que observo, estão fazendo muita falta nos dias de hoje: OSPB e EMC.
A disciplina OSPB, que significa Organização Social e Política do Brasil, surgiu na educação brasileira no período do governo João Goulart, ou seja, antes mesmo da ditadura militar, com o intuito de abordar os conhecimentos sobre o nosso país, tais como a sociedade, a cultura, o cotidiano, a constituição, a política, entre outros temas, possibilitando aos estudantes uma análise no tocante à vida nacional.
Um dos pontos altamente positivos da disciplina OSPB é que ela ensinava os nossos jovens como é organizado o governo, o que são os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, o que representam os símbolos nacionais, que, aliás, de forma gradativa, vêm sendo abandonados dentro e fora dos estabelecimentos de ensino do País.
A outra disciplina, igualmente importante, é a Educação Moral e Cívica, a chamada EMC, criada na década de 70 e cujas finalidades eram o fortalecimento da unidade nacional e do sentimento de solidariedade humana, o aprimoramento do caráter, a dedicação à família e à comunidade, o preparo do cidadão para o exercício das atividades cívicas com fundamento na moral, no patriotismo e na ação construtiva, visando ao bem comum.
A disciplina de EMC não tinha qualquer interesse em adestrar nem catequizar as pessoas, mas sim estimular a reflexão do pensamento voltado aos valores éticos e morais, apesar de sabermos evidentemente que a escola não é a única responsável.
A escola é parte de um todo que contribui para a formação e informação das pessoas, sendo a família o primeiro grupo social de qualquer indivíduo. Afinal, ela é o espaço no qual construímos os nossos valores éticos e morais, que, lapidados com o tempo, de acordo com o fluxo das influências, podem ser positivas ou negativas.
Estas duas disciplinas, OSPB e EMC, sob a justificativa de que se tratava de resquícios da ditadura militar, foram excluídas do currículo escolar pelos políticos “democráticos” e as conseqüências disso atualmente estão bem explícitas em meio às atitudes dos nossos jovens.
Muitos deles não sabem entoar a hino nacional, dublam; não conhecem os símbolos nacionais, mas sim os de times de futebol; não têm quaisquer noções de como são os poderes constituídos do País; não sabem o que são direitos, deveres e obrigações perante a sociedade e sua família; não sabem, na verdade, nem sequer o que são valores familiares.
Enfim, ambas as disciplinas fazem muita falta no currículo escolar.
Acho que a maioria dos nossos leitores de Xique-Xique, em especial do Pagina Revista, já ouviu pelo menos uma vez na vida frases do tipo: “isso não vai dar certo”; “nossa cidade está cada vez pior”; etc.
Eu sempre ouço essas frases e, graças a Deus, sei me cuidar para não deixá-las prejudicar o meu dia-a-dia, apesar de que as pessoas que as expõem adoram usá-las justamente num segmento que aprecio bastante: a imprensa.
Essas pessoas são capazes de colocar para baixo quaisquer seres humanos. Elas curtem em demasia destruir sonhos das outras, se acham donas da verdade e, enfim, não suportam o sucesso de ninguém, exceto se for delas.
Com a desculpa de que amam os lugares onde nascem, se criam, estudam e trabalham, elas não escolhem a opção de ir embora, partir, enfim, para os recantos que insinuam ser ou estar melhor que os seus. Preferem sim, a todo instante, destacar seus atos de pessimismo explícito.
Pessoas desse quilate são consideradas sugadoras de energia – termo utilizado para aqueles elementos que sugam energias de pessoas, animais, plantas, etc. e cujas causas, segundo estudos especializados, são carências afetivas, sexuais, financeiras, intelectuais... Eu disse estudos especializados, muito bem esclarecidos na rede mundial de computadores.
Na vida diária de Xique-Xique, e agora com o crescimento dos meios de comunicação, os sugadores de energia aparecem muito. E como aparecem! Eles adoram dar ênfase ao pessimismo na maior parte do tempo em que aproveitam para falar ao seu grande alvo, que é o povo.
Exemplifiquemos uma conversa de um determinado amigo que fica falando durante quase todo o tempo somente de doenças, roubos, estupros, desemprego, falta de dinheiro, etc. Se não estivermos preparados, acabaremos até entrando em profunda depressão.
Em Xique-Xique, infelizmente, como em qualquer outro lugar do Brasil, existem sugadores de energia. De qualquer forma, o melhor é evitarmos ouvi-los, já que eles são sempre do contra e torcem para que nada de bom nos aconteça.
Se você, amigo leitor, conhece pessoas assim, não as ouça, exceto se não correr o risco de elas o deixarem triste. Eu, pelo menos, sou capaz de ouvi-las, sem, no entanto, permiti-las roubar uma qualidade que a maioria dos xique-xiquenses tem: o otimismo.
Edilson Rocha - edilsonrochasantos@hotmail.com
As consequências de uma boa religião
Fazendo um trabalho, em minhas investidas como cinegrafista nas horas vagas, estive presente na comemoração do Centenário das Assembléias de Deus no Brasil organizada, no caso de Xique-Xique, pela Assembléia de Deus - Missão, nos dias 8, 9 e 10 de julho de 2011.
Enquanto procurava os melhores ângulos para a filmagem, tanto no primeiro e terceiro dias, nos quais estive no templo da Assembléia de Deus - Missão, como também no segundo dia, no qual estive nas ruas da cidade sobre um trio elétrico liderado por vários pastores, pregadores, cantores e bandas do meio evangélico, certos detalhes levaram-me a algumas reflexões.
Inicialmente, esclareço que, embora não seja evangélico, respeito todas as religiões do mundo, exceto aquelas que insistem dizer que matam em nome de Deus e outras que sacrificam animais e até mesmo humanos, como parte dos seus rituais.
Contudo, não é sobre religião que me proponho aqui salientar, mas sim as boas consequências que elas, de maneira geral, incluindo-se as dos movimentos católicos e tantos outros, trazem à sociedade xiquexiquense na busca pela paz.
Notei que a comemoração organizada pela Assembléia de Deus – Missão, de Xique-Xique, contou com a presença de um trio elétrico e centenas de seguidores evangélicos e não evangélicos, sem que houvesse registros de quaisquer confusões, brigas, enfim, entre os partícipes.
Dentro de minhas reflexões, vieram-me também lembranças das manifestações católicas, como as procissões, normalmente grandiosas e que aglutinam em Xique-Xique pessoas das mais distintas localidades do Município, sem a ocorrência, igualmente, de confusões, brigas, entre os presentes.
As letras das músicas e as expressões corporais dos partícipes de manifestações religiosas, noto, são próprias, longe daquilo que estamos acostumados a ver nas chamadas festas mundanas, nas quais as bebidas alcoólicas não podem faltar e os abraços, com palavras de otimismo e principalmente de amor, só se forem nos namorados, nas namoradas. Mas é claro que há exceções.
Acho que as respeitáveis instituições religiosas de Xique-Xique deveriam realizar em quantidade e qualidade cada vez maiores de eventos sobre tudo em que acreditam e pregam, independentemente dos seus dogmas.
Tempos atrás, entendia que o esporte era o melhor instrumento para que a juventude não se envolvesse com atos ilícitos, como o uso de drogas. Agora, todavia, entendo que uma boa religião deve ser mais uma opção para evitar que os jovens e as pessoas em geral se envolvam com a criminalidade.
Ainda na minha adolescência, ao final da década de 70, tive o feliz privilégio de haver sido aluno de um curso de datilografia ministrado por uma das inúmeras escolas profissionais da cidade de São Paulo.
Esses cursos de datilografia, no geral, ensinavam as técnicas do correto uso e posicionamento dos dedos sobre os teclados de uma máquina de escrever – que era o instrumento de trabalho dos datilógrafos – bem assim as técnicas de redação comercial, bancária, pessoal... e tudo o que se referisse aos conhecimentos exigidos pelo mercado de trabalho para ser um bom profissional da área.
Aos poucos, os cursos de datilografia foram sendo substituídos pelos cursos de informática, e as máquinas de escrever foram dando lugar aos computadores, que, entre tantas coisas, permitem aos seus usuários escrever textos e, através da internet e em tempo real, se comunicar com as mais diferentes pessoas, empresas, culturas e outros segmentos espalhados pelo mundo.
Não vou perder tempo aqui para narrar as enormes diferenças e vantagens, tecnicamente falando, que há entre escrever com uma máquina especialmente para datilografia e escrever com um computador. Paralelamente, entretanto, cada vez mais vem se comprovando que a tecnologia da informática, sobretudo com o estilo linguístico da internet, está causando enormes preocupações a determinados educadores do Brasil.
Por trás da desculpa de economizar tempo e espaço, surgiu na internet uma linguagem denominada de internetês, usada em torpedos de celulares, nas redes sociais como orkut e em programas populares de conversações on-line, como o messenger. Daí, passado algum tempo, acabou vindo à tona um seríssimo questionamento: o internetês pode influenciar no aprendizado e na comunicação entre as pessoas?
Segundo vários especialistas da área de educação, esse tipo de linguagem, do ponto de vista oral, não oferece nenhum perigo, mas que há riscos de que o internetês possa levar perigo à língua portuguesa padrão.
Alguns dos meus amigos, que costumeiramente concorrem a concursos públicos e a vestibulares no Brasil afora, já me relataram haver tido dificuldades em redigir até mesmo pequenos textos, sob a justificativa de digitar, quase todos os dias, em seus computadores, diálogos lotados de infindáveis abreviações e de grotescos erros ortográficos.
Notemos o exemplo a seguir, que extraí da própria internet: “Oieee!Kiria fala q vc eh legau soh ki to chatiadu neh... pq vc naum xego na hr q eu t flei?!”
Falar errado por não conhecer a língua portuguesa, por não ser alfabetizado e/ou por ser usuário de termos próprios de uma determinada região, tudo isso é compreensível e aceitável. No entanto, no caso da escrita, a língua padrão deve ser respeitada e, no meu singelo entendimento, também nos diálogos via internet.
Há gramáticos brasileiros, talvez para demonstrar ser moderninhos, que compreendem o uso do internetês e o consideram um mal necessário ao mundo da internet, opinião que, nem por isso, deve ser comungada por pessoas que, diante de computadores e outros meios, procuram errar o mínimo possível em relação à escrita da língua portuguesa.
A datilografia quase toda se foi e a digitação chegou, com o seu internetês – uma forma de assassinato da língua portuguesa, já que não acrescenta em nada na melhoria das formações pessoal, educacional, cultural e profissional, enfim..., de cada indivíduo.
Em conversas com amigos, invariavelmente sou indagado por que motivo há anos tenho escrevido minhas matérias apenas no Jornal Pagina Revista, passando, às vezes, aos leitores de outros veículos locais – caso dos blogs – o indício de exclusividade no noticioso impresso idealizado e fundado por meu amigo Erasmo Deterra.
Esse tipo de questionamento nem deveria existir e, portanto, não procede, pois os motivos são notórios de minha não-participação em outros órgãos de imprensa locais.
Não tenho um arquivo de tudo que já escrevi durante a minha vida e, até por isso, não devo confiar totalmente em minha memória, mas me recordo de que, em Xique-Xique, um jornal denominado Cochicho, nos anos 90, também de iniciativa de Erasmo Deterra, foi o primeiro pelo qual comecei a me aventurar como colunista.
Durante esses anos, Erasmo se aprofundou em fazer um jornalismo com responsabilidade, além de, aos poucos, com sua mente voltada para o futuro, ter aperfeiçoado o formato do Jornal Pagina Revista, inclusive disponibilizando-o, mês a mês, na Internet.
Caberia até este tipo de assunto ser mais oportuno em datas comemorativas do aniversário do Jornal Pagina Revista ou até mesmo da pessoa de Erasmo Deterra. Porém, dados os últimos absurdos veiculados em certos órgãos de comunicação disponibilizados em Xique-Xique, notadamente em forma de blogs, não poderia, neste momento, perder esta chance de apresentar meus protestos de repúdio, mais uma vez, àqueles que não procuram ser éticos quanto aos comentários que permitem ser publicados nesses seus instrumentos de comunicação virtuais.
No jornal em que escrevo não há lugar para anonimato. Aliás, esta é a terceira vez que me reporto a este assunto e, mesmo assim, bem diferente do estilo claro, transparente daquilo que considero jornalismo de verdade e de responsabilidade, certos donos e editores de alguns blogs continuam permitindo o uso desta ação covarde chamada anonimato. Nem sequer se atêm ao disposto na Constituição Federal, art. 5º, inciso IV, que diz: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato”.
Tenho a pretensão, não sei quando, de fazer um blog de noticiais em geral, visando à divulgação de assuntos mais restritos ao nosso município e região. Todavia, de antemão, deixo claro que, em nenhuma hipótese, permitirei a insensatez do anonimato de quem quer sejam seus postadores, nem mesmo para tecer elogios, sejam a fulano ou sicrano, a político ou não-político. E por aí vai!
Até compreendo que várias pessoas postam comentários anonimamente nesses blogs por desconhecerem a ética jornalística. No entanto, essa mesma compreensão não a aplico aos seus proprietários e editores. Eles conhecem a lei e poderiam, perfeitamente, sem qualquer problema, proceder a um trabalho de moderação, proibindo a postagem, em seus blogs, de assuntos de autoria anônima.
O motivo, enfim, de eu escrever apenas no Jornal Pagina Revista é que este faz um jornalismo sério, onde seu proprietário e editor-chefe, ao longo de vários anos, tem demonstrado responsabilidade com o que é divulgado, enquanto alguns blogs locais...
Entre as várias obras realizadas em Xique-Xique, de iniciativa do prefeito Reinaldo filho, desde janeiro de 2005, quando assumiu o principal cargo eletivo desta cidade, uma delas me remete a alguns momentos de pura nostalgia, que é a reforma da Praça Presidente Vargas, um dos mais tradicionais pontos do Município e que, em breve, será concluída.
Pessoalmente, tenho um carinho muito especial por essa praça, pois foi nela, em 1986, ao vir de São Paulo, que iniciei meus primeiros laços de amizade em Xique-Xique e, consequentemente, minha gradativa paixão por esta cidade.
Deixando de lado minhas “apegações” emocionais, parto para minhas “apegações” racionais, pois acredito que a conclusão da reforma da Praça Presidente Vargas, bonita e aconchegante que ficará, em virtude de tudo o que está sendo nela implementado, contribuirá para que suas proximidades, tais como a Praça Dom Máximo e a Rua Marechal Deodoro, voltem a ser os pontos de encontro festivos do povo de Xique-Xique – algo rotineiro pouco antes do final dos anos 90 e descontinuado quando, a partir de então, foram instalados bancos no percurso destinado ao passeio de pedestres na Avenida J. J. Seabra.
Tanto a Praça Dom Máximo, onde se localiza a Igreja Matriz Senhor do Bonfim, e a Rua Marechal Deodoro, onde era considerado o circuito dos mais badalados bares, boates e lanchonetes da cidade, eram bastante movimentados. Ambos os lugares serviam de termômetro quanto às probabilidades de bons públicos nos shows programados entre uma e duas horas antes de suas realizações, nos principais clubes de festa do Município.
O contato entre as pessoas que andavam noturnamente nesses dois trechos de Xique-Xique era muito mais próximo e, por isso, facilitava a elas a medição do entusiasmo de cada amigo e amiga quanto à ida ou não a esses shows.
No caso da Marechal Deodoro por exemplo, além de todos esses encantos, havia um privilégio interessante: nessa rua, funcionava um clube social chamado “7 de Setembro”, hoje esquecido, mas que era um dos mais importantes e populares de Xique-Xique na época e no qual, assim como diversos shows ao longo de cada ano, eram realizadas as melhores festas de carnaval, em horários vespertinos e noturnos – estes últimos sempre com o encontro de quase todos os blocos de rua.
Anos mais tarde, antes de desabar por causa de um temporal, um ginásio municipal de esportes que existia na Praça Luiz Viana, ao final da Rua Marechal, substituiu o Clube 7 de Setembro, talvez pelo tamanho e melhores acomodações, para a realização dos carnavais de fim de noite e também, em outras épocas do ano, de shows dos principais cantores e bandas do Município e de outras regiões.
Tenho a opinião há tempos formada em relação ao motivo da mudança das badalações, sobretudo noturnas, da Praça Dom Máximo e da Rua Marechal Deodoro para a Avenida J. J. Seabra. Porém, por falta de espaço para um texto mais abrangente, deixarei para expô-la em outra oportunidade.
Em resumo, ao longo de todos esses anos, notei que houve uma inversão de características desses locais de Xique-Xique. O estilo mais comercial da Marechal Deodoro de anos atrás mudou-se para a J. J. Seabra, enquanto o estilo mais residencial da J. J. Seabra mudou-se para a Marechal. No entanto, acredito que a Praça Presidente Vargas, após a conclusão de suas obras, poderá causar novas alterações dos locais desses estilos e, junto isto, a expectativa de grande contribuição ao crescimento econômico do Município.
A falta de valorização das últimas gerações brasileiras em relação aos avanços tecnológicos, principalmente na esfera dos meios de comunicação, é um fato claro, inquestionável e que, no meu ponto de vista, possivelmente apenas membros de gerações mais antigas, como as de certos “felizardos” das décadas de 70, 80 e até 90, podem atestar minha opinião.
Há alguns anos, após a melhoria da disponibilidade dos serviços de telefonia fixa, surgiram no Brasil os serviços de telefonia móvel, inicialmente com aparelhos que mais pareciam tijolos, de tão grandes que eram. Ou seja, bem diferentes dos de atualmente, que além de menores e mais leves disponibilizam outras ferramentas, entre as quais a possibilidade de acesso à internet.
Espanto-me e até me indigno quando constato haver pessoas, nos dias de hoje, abrirem mão do uso de aparelhos celulares e, assim, não darem a importância de poder localizar pessoas com as quais precisem se comunicar ou, simplesmente, ser localizadas por outras tantas que têm urgência de lhes dar recados, muitos, inclusive, até relativos a casos que envolvem vida e/ou morte de parentes e amigos próximos.
Esta tal desvalorização a que me refiro não se restringe tão-somente ao aperfeiçoamento de algo que já existia há várias décadas, no caso o telefone fixo, que acabou ganhando um irmão: o telefone celular. Há também a desvalorização dos serviços disponibilizados pela internet que, se fosse melhor aproveitada, contribuiria muito mais para a aquisição de conhecimentos capazes de elevar os níveis educacional e cultural do povo brasileiro.
Vários dos seus segmentos do País, como exemplo a ala jovem, dificilmente procuram acessar sites que lhes dêem informações importantes para o seu desenvolvimento como cidadãos. Preferem, sim, acessar sites de redes sociais a sites de notícias on-line; preferem acessar sites pornográficos a sites relacionados a conteúdos de matérias que fazem parte do seu currículo escolar. Claro que os sites de redes sociais são interessantes, pois são instrumentos que facilitam o conhecimento e aproximação das pessoas, apesar do vício que se tornaram em demasia e, por consequência, prejudicial.
Não consigo entender, nesta nova geração, como pode ainda existirem tantos estudantes, quase todos dotados de boa saúde física e mental, capazes de ser reprovados em suas escolas.
Quando estudava em São Paulo e precisava fazer pesquisas para trabalhos escolares, tinha que acordar bem cedo, pegar um ônibus lotado, entrar numa fila enorme para adentrar uma biblioteca pública, escrever à caneta em folhas de papel, retornar à minha casa quase na hora do almoço e novamente usar a caneta, desta feita para editar, caprichar e concluir o trabalho, na esperança de ganhar notas extras, altas, oferecidas pelos meus professores.
Hoje, os trabalhos de pesquisas escolares ainda continuam a ser exigidos pelos professores. Entretanto, os alunos, apenas com alguns cliques, conseguem obter em poucos minutos, incluindo suas impressões, todo o conteúdo que precisam para o que lhes são propostos pelos professores. Eles têm tudo o de que necessitam dentro da internet. Não precisam ir muito longe para tomar conhecimento de quaisquer assuntos de matérias escolares e quaisquer outros. Todavia, também não valorizam os avanços tecnológicos da comunicação.
Não sei em absoluto se o significado de diminuição da taxa de analfabetismo no Brasil é o mesmo que aumentar o número de pessoas que aprendem a ler e escrever, capazes, enfim, de ao menos informar, em método manuscrito, seus próprios nomes e textos, além de ler outros de terceiros.
Se a diminuição da taxa de analfabetismo limita-se a estes critérios, o Brasil decerto avançou bastante no seu combate, ainda que constatemos em repartições públicas pessoas tidas como alfabetizadas demorarem um tempinho considerável para preencher, por exemplo, um simples formulário com seus nomes e outros dados de identificação.
O analfabetismo brasileiro de hoje não se restringe mais apenas ao não-conhecimento das letras, pois a Educação agora tem mais um inimigo que eu o chamo de analfabetismo digital, surgido principalmente após a informatização dos serviços bancários, quando estes passaram a permitir teoricamente um melhor atendimento ao público, tais como disponibilidade de efetuar um modesto depósito em dinheiro ou cheques até pedidos de empréstimos, sem a necessidade de intervenção de funcionários do banco.
A título de referência, cito o que ocorre dentro das três agências bancárias de Xique-Xique, onde é comum pessoas das mais diversas classes socioeconômicas pedirem a colegas da fila e até a estranhos, inclusive passando-lhes senhas, para que lhes efetuem saques e/ou transferências de montantes, que, em alguns casos, se revelam salários, benefícios previdenciários e outras rendas com os quais sobrevivem.
Durante o período normal de expediente, que é das 10 horas às 15 horas, e no horário de verão, das 9 horas a 14 horas, deparamo-nos nas agências dos Bancos do Brasil, Bradesco e Caixa Econômica Federal com o apoio de funcionários seus oferecendo informações e orientações a clientes e não-clientes para procedimentos de manuseio daqueles verdadeiros computadores, que são os chamados caixas eletrônicos.
Após o término do expediente, os caixas eletrônicos da entrada da agência permanecem disponíveis para o uso das pessoas que precisam fazer suas transações bancárias, porém sem a presença dos profissionais habilitados que possam ajudá-las. Com isso, vários cidadãos que têm dificuldades em manusear essas máquinas acabam por tentar a sorte através de pedidos de favor a terceiros e que, na verdade, acabam se tornando ações ainda mais complicadas, sobretudo nos finais de semana e feriados, quando é menor o fluxo de pessoas dentro dos bancos e, por isso, bem propício às investidas de marginais.
Referir-se a pessoas que não sabem fazer uso desses cartões eletrônicos como integrantes do analfabetismo digital pode até soar a ideia de que apenas as que não sabem ler e escrever se enquadram nesta nova classe brasileira. No entanto, mesmo as “letradas” – que não são poucas, diga-se de passagem – engrossam as fileiras dos analfabetos digitais. Várias delas até lidam diariamente com computadores, tanto em casa como no trabalho, conhecem muito de informática, mas apanham de tais máquinas.
O analfabetismo digital é um mal que se permite integrar pelos ricos e pelos pobres – estes últimos, entretanto, o segmento que mais sofre, pois, além das piadinhas corriqueiras que ouvem ao demorar diante dos caixas eletrônicos, podem ficar sem dinheiro e com dificuldades de reembolso por conta dos riscos de ser lesados a partir do momento em que confiam em estranhos ou falsos amigos para manusear seus cartões magnéticos, cheques, etc. Este é o preço da informatização. Este é o preço do que chamam de progresso.
A frase “Bom humor e alegria são inerentes ao ser humano, Só que, às vezes, quem está hospitalizado, vivendo um doloroso drama, fica impedido de dar espaço a eles”, não é de minha autoria, razão pela qual as grafei entre aspas.
Eu a extraí de um artigo do site do Jornal O Estado de São Paulo, edição de 3 de março de 2006, mas que me serviu de referência para retratar o que dois notáveis seres humanos de Xique-Xique estão fazendo em meio a enfermos internados em unidades hospitalares do Município.
Antes de me ater mais profundamente ao assunto sobre o qual me decidi escrever, saliento que nunca gostei do ambiente hospitalar, sobretudo por achá-lo triste, onde, no lugar de palavras de amor, conforto e otimismo, determinadas pessoas que visitam pacientes internados optam por expor palavras de baixo astral, tipo: “você está muito magro, abatido” e até questionamentos como: “Você confia nos médicos daqui?” e etc.
Eu ainda acredito em algumas pessoas e, apesar de tantas coisas ruins ocorrendo em todo o mundo, me encho de felicidade quando constato existirem seres humanos que procuram fazer algo de bom para o próximo, inclusive levar alegria a quem se encontra internado em hospitais, acometido de problemas sérios de saúde.
Possivelmente com base no que souberam sobre experiências existentes em outros recantos do País, Laura Gui e Marcelo Moraes, acostumados por seus próprios dons artísticos a animar festas de aniversário infantis e outros eventos em Xique-Xique que contratam seus préstimos profissionais, tiveram a iniciativa de criar um grupo sob o domínio de “Doutores da Alegria”.
Há pouco tempo, o grupo esteve nos dois hospitais de Xique-Xique – Julieta Viana e Senhor do Bonfim – nos setores de pediatria, distribuindo, além de guloseimas e brinquedos, muita alegria a várias crianças lá internadas. Em ambas ocasiões, a Móveis Nordeste e Nordeste Utilidades, que inclusive contaram com a presença de sua popularíssima gerente Vera, deram sua contribuição através de patrocínios.
Em nenhuma hipótese, tenho a pretensão de dar aulas quanto às comprovações científicas do bem que iniciativas desse quilate fazem a enfermos internados em hospitais. Permito-me, no entanto, tecer que, através de reportagens de tv e pesquisas na Internet, observei que são apontados que vários estudos comprovam que o riso interfere de forma positiva nos sistemas respiratório, circulatório e imunológico, entre outros, e na produção de endorfinas causadoras de sensações de bem-estar e de diminuição de dor.
Minha pretensão, sim, ainda que alguns pessimistas a considerem utópica, é que a sociedade xique-xiquense dê o seu apoio, na melhor forma possível, a tão belíssima iniciativa de Laura Gui e Marcelo Moraes, tal como o fez Vera, através da Móveis Nordeste e da Nordeste Utilidades da quais é gerente.
Projetos como “Criança Feliz”, idealizado pelo radialista e empreendedor social Marlon Brando, felizmente conquistou a sensibilidade e confiança dos nossos munícipes, tornando-se a cada ano maior, melhor e, enfim, muito mais estruturado.
Cabe agora a esta mesma sociedade aderir também a iniciativa do “Doutores da Alegria” que, embora tenha uma vertente mais específica, já que sua finalidade se direciona a pessoas enfermas internadas em hospitais, tanto de Xique-Xique como também de outras regiões, merece todo o respaldo de quem igualmente é sensível a causas sociais. Incentivos morais, óbvio, e econômicos, através de patrocínios, serão sempre objetos imprescindíveis à continuidade do êxito alcançado pelo “Doutores da Alegria”.







