21 de junho de 2018

Contraf-CUT participa de lançamento de campanha da CUT em defesa do serviço público

“Esses golpistas estão levando à colonização o nosso país“, criticou Jeferson Meira.

Diante do desmonte e do sucateamento sem precedentes das estatais e das empresas públicas brasileiras por parte do governo Temer, além do alarmante fechamento de 2.675 postos de trabalho bancário no Brasil, entre janeiro e maio deste ano –, de acordo com análise feita pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), com base em dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), sendo 50 mil vagas nos últimos cinco anos –, a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) se uniu à Central Única dos Trabalhadores (CUT), nesta quarta-feira (20), para o lançamento da campanha ‘Brasil Forte, em defesa do serviço público e das estatais’, ocorrida na Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado Federal.


Capitaneada pela CUT, a ação também tem como objetivo combater a Emenda Constitucional (EC) 95, que criou um teto para os gastos públicos com saúde, educação e assistência social por duas décadas.


Dia do Basta


A campanha nacional Brasil Forte, em defesa do serviço público e das estatais, será lançada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), logo após a Copa do Mundo. A manifestação nacional, prevista para dia 10 de agosto, é chamada Dia do Basta contra o que classificou como “entrega do patrimônio brasileiro às multinacionais”. Pelos cálculos dele, o programa de privatização da exploração de petróleo significa entregar cinco bilhões de barris do Pré-Sal a empresas estrangeiras.


A secretária de Relações de Trabalho da CUT, Maria das Graças Costa, explicou que a campanha “Brasil Forte” vai envolver 3.900 entidades filiadas à entidade e terá perfil nas redes sociais. O objetivo, de acordo com ela, é criar um cenário de pressão popular para forçar os parlamentares a não aprovarem a venda de empresas públicas.


Representante da Coalizão Antiausteridade e pela Revogação da Emenda Constitucional nº 95, Lizely Borges, disse que o limite de gastos públicos levou mais 1,5 milhão de pessoas à extrema pobreza, que se somam a outros 15 milhões nessa condição, segundo dados da Fundação Abrinq.


O secretário de Finanças da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Serviço Público (Condsef), Pedro Armengol, também criticou o teto de gastos. Ele afirmou que, com apenas um ano de vigência, a EC 95 já retirou 40% dos investimentos em políticas públicas.


Segundo o representante do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), Neuriberg Dias, a campanha Brasil Forte visa unificar as forças da sociedade para combater uma agenda que, avaliou ele, foi iniciada pelo Parlamento e busca implantar um Estado mínimo no país em 20 anos. Dias citou como exemplos desse processo, além da emenda do teto de gastos, a reforma trabalhista já em vigor e a reforma da Previdência ainda em discussão.


Secretário de Relações do Trabalho da Contraf-CUT, Jeferson Meira, criticou, com veemência as pessoas que estão vendendo nosso país. “Esses golpistas estão levando à colonização o nosso país“, criticou Jeferson Meira.


Na avaliação do diretor da Contraf-CUT, “entregar a Amazônia, a nossa água e o nosso petróleo é um grande crime. É uma falácia dizer que enxugando o estado irá gerar receitas necessárias ao país, porém, há dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) revelando que essa conta não fecha, pois estima-se que a receita do atual pacote de privatizações de Temer gire em torno de R$ 170 bilhões, ao passo que projeções do Dieese afirmam que até 2020 ocorrerá um déficit de R$ 500 bilhões no setor.”


Citando Karl Marx e Friedrich Engel, Jeferson Meira, disse que, “no passado, a história se repete pele primeira vez como tragédia e depois como farsa, o que pudemos testemunhar nos anos 90. Agora estamos testemunhando a tragédia e a farsa ao mesmo tempo”.


O debate no Senado contou com mais de 30 palestrantes, entre senadores, deputados e representantes de entidades sindicais e sociais.

 

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Fonte: Contraf-CUT