![]() |
Carlos Santos - Ex-prefeito de Xiquexique, empresário, escritor. Natural de Xiquexique/Bahia. É colaborardor do Página Revista. |
Tempos idos, histórias e estórias gravadas por tantos quantos registraram e repassaram-nas para seus ancestrais e estes, com suas próprias interpretações, de quando em vez, em suas conversas reproduzem como fatos notáveis.
Na década de 1940 a maior expressão no cenário político-partidário brasileiro era Getúlio Vargas que de presidente, legalmente constituído, aproveitou-se de sua grande e inegável popularidade e se tornou ditador com o nítido desejo de se perpetuar no poder.
Concomitantemente, àquela época acontecia a Segunda Grande Guerra Mundial e inevitavelmente, o Brasil como nação aliada aos Estados Unidos da América também participou do conflito.
Comercialmente, a cera de carnaúba foi uma das mercadorias de maior valorização cambial. Xiquexique com vastas áreas cobertas por carnaubeiras tornou-se um dos grandes produtores e por conseqüências, os proprietários e intermediários da valorizada palha, tornaram-se ricos e “coronelizados”.
Litercílio Rocha, sem nenhuma dúvida, foi o mais aquinhoado com a prática do comércio da época. Com os lucros, sempre procurava, cada vez mais, se capitalizar e seu envolvimento político era comedido. Pela sua maneira de ser nunca foi “coronel” embora, agisse na defesa das suas economias como se, general fosse. Mesmo assim foi prefeito nomeado no período de 1939 a 1941 No seu pensamento sempre reinou a valorização das coisas, tendo como base o “rico metal” extraído das terras de Gentio do Ouro. Assim, no seu discurso de posse ficou inesquecível a sua promessa de tornar “Xiquexique numa pepita de ouro”.
Na sua mesma linha de conduta e na mesma época viveu Bibi. (Hermenegildo de Souza Nogueira) Comerciante rico e que tinha por meta a poupança dos recursos, gastando tão somente o indispensável para o conforto e educação da família.
Entre os “coronéis” era muito comum a suntuosidade com uma constante e exagerada demonstração de poder pessoal e riqueza familiar. Muitos dos casarões e sobrados daquela época ainda subsistem salvos da deplorável atuação dos atuais empresários que não resistem em aproveitar a localização de velhas e lindas casas transformando-as em pontos comerciais.
Nos tempos da grande guerra (1939 a 1945) o maior desejo de consumo era se possuir um rádio que com toda sua parafernália eram orgulhosamente instalados e exibidos nas salas de visitas como móvel de fina decoração. À noite nas poucas residências que permitiam visitantes para ouvir as noticias tornavam pontos de encontro e de análise das notícias ouvidas.
Dentro da história não se tem uma definitiva precisão do autor do acontecido. Diz-se que o rádio pertencia a Bibi. A ele ficou atribuída a autoria dessa destacada proeza.
Estava marcada com a devida antecedência que Getúlio Vargas, via rádio, falaria para toda Nação. O assunto, segundo a perspectiva exigiria muita atenção dos ouvintes.
Dois dias antes, para que não tivesse visitas e as mesmas atrapalhassem a melhor audição do discurso do Presidente, correu o aviso que o radio do seu Bibi estava com defeito. Por conseqüência foi definitivamente desligado.
Ocorreu que, sem o uso do equipamento, um ratinho se aninhou na grande caixa do rádio e não se explica porque ali morreu. No dia e hora marcados para o pronunciamento do Presidente, liga-se o rádio que de antemão já se sentia um odor tomando conta do ambiente.
Vai começar o discurso, o dono da casa vislumbra a sala e percebe que não há nenhum estranho e assim se aconchega na cadeira de “Januária” mais próxima do aparelho. Começa a falar o Presidente, Os familiares presentes não disfarçam o mau cheiro e começam abanar o nariz, inclusive o patrono do clã.
Terminado o comunicado, o dono da casa comenta.
- “Pois é... a coisa tá feia. O Getulio fala muito bem, mas tem um mau cheiro danado na boca”.
A ocupação do território onde hoje se encontra Xiquexique ocorreu no final do século XVII, como decorrência:
1 - Da expansão da pecuária – proíbida que era de ser praticada até 100 léguas da costa;
2 – Das entradas de aventureiros em busca do ouro e pedras preciosas;
3 – Das missões de catequese promovidas pelos franciscanos;
4) – Pela fragmentação, arrendamento, ocupação e venda dos grandes latifúndios pertencentes às Casas da Torre e da Ponte, cujos domínios se estendiam até a foz do Rio Verde.
O primeiro aldeamento instalou-se na ilha do Miradouro, onde se erigiu uma capela em homenagem a Santa Ana.
Posteriormente ergueu-se em terra firme um núcleo na Fazenda Praia de propriedade do senhor Teobaldo de Carvalho, a margem direita da ipueira de Xiquexique onde se construiu uma capela em homenagem ao Senhor do Bonfim.
Em 1714, o arraial, já bem desenvolvido foi elevado à categoria de distrito.
Em 6 de julho de 1832, com seu território desmembrado do distrito de Sento Sé, (que por sua vez pertencia ao município de Jacobina) Xiquexique foi elevado à categoria de Vila, cuja instalação aconteceu no dia 23 de outubro de 1834.
Em 1860, segundo relato da época, apresentado ao Imperador D. Pedro II, “a Vila de Xiquexique tem 187 casas, uma igreja dedicada ao Senhor do Bonfim, uma cadeia e 1.700 habitantes. Para todo o município tem 8.900 a 10.000 pessoas que vivem da criação de gado, da pesca, da caça, do comércio fluvial e finalmente da mineração em ouro e diamante que começa a pouca distância ao sul da Vila de Xiquexique, nas minas de Cocais, Santo Inácio e Gentio”.
Pelo ato de 9 de julho de 1890 é criado o município de Gameleira do Assuruá, com território desmembrado de Xiquexique. Com este novo município, Xiquexique perde a sua principal área de extração de ouro e diamante.
Pela Lei Estadual n° 2082 de 13 de junho de 1928, a Vila de Xiquexique foi elevada à categoria de cidade.
Em 28 de dezembro de 1984, pela Lei n° 230 foram aprovados e instituídos os símbolos municipais: O Hino, a Bandeira e o Brasão.
O município está localizado no baixo-médio São Francisco. Sua sede possui as seguintes coordenadas geográficas: 10° 49¢ latitude sul e 42° 43¢ longitude oeste de Greenwich e uma altitude de 403 m. Dista 578 km de Salvador por via rodoviária, tendo uma área de 5.020 km²
I
Ao longo do curso do Rio São Francisco, para cada formação populacional, hoje identificadas por inúmeras cidades e povoados, registra-se as mais diversificadas histórias com suas devidas justificativas, quase sempre lendárias e sem nenhum registro documental ou comprobatório dos fatos. Porem, por fortes tradições temos os diversos informes sobre as origens das devoções, por parte das populações para com seus santos ou padroeiros, bem como, sobre as construções dos templos católicos erigidos por vontade dos proprietários ou desejo dos moradores nos antigos “currais” ou ainda por reconhecimento dos milagres comprovados pelas confissões dos fiéis.
Segundo os mais antigos xiquexiquenses e em especial, da professora Geni Araújo que registrou nos seus apontamentos os relatos ouvidos dos seus pais, que por sua vez, ouvira dos seus antecessores, a história do nosso padroeiro, é uma das mais convincentes entre àquelas do domínio popular.
A mencionada professora nos repassa que no início do século XVIII aqui “neste pedaço de chão que é hoje a cidade de Xiquexique, só existia caatinga fechada e cheia de cactos”.
Em verdade não nos faltam espécimes da diversificada família dos cactáceos, desde o rasteiro quipá ao imponente mandacaru, passando por abundantes exemplares de espinheiros, tais como, cabeça de frade, xiquexique também conhecido como rabo-de-cachorro ou facheiro.
Por natural analogia o lugarejo passou a ser conhecido e posteriormente denominado de Xiquexique.
No local onde é hoje a Praça D. Máximo era o ponto certo e preferido para o pouso, o descanso temporário e a reposição das energias dos tropeiros, caixeiros viajantes, boiadeiros, romeiros que se deslocavam rumo a Bom Jesus da Lapa, pescadores, caçadores ou qualquer aventureiro de passagem pela região. Era um verdadeiro oásis, pois, localizava-se às margens de uma Ipueira, de águas limpas e mansas e por demais viscosa.
Durante a noite após um farto jantar preparado à base de peixe assado, os visitantes para dormir armavam suas redes no ponto mais alto possível e se cobriam, dos pés a cabeça, com cobertores ou debaixo do “boi” (uma espécie de mosquiteiro, muito conhecido e usado na região) para bem se protegerem dos sanguessugas e outros insetos que atacavam desde o anoitecer até a chegada da madrugada. Os pernilongos ainda hoje incomodam os moradores das ilhas. Quando alguém quer definir a intensidade diz que: É tanta muriçoca que está jogando cachorro n’água.
Diz a lenda que certa vez aqui chegou para pernoitar um tropeiro e seus dois ajudantes, conduzindo um grande lote de burros carregados de mercadorias. Todos estavam sedentos e a tarde já se avançava no tempo e a noite estava cada vez mais próxima. Apressaram a marcha, precisavam alcançar a Ipueira ainda com a luz do sol e com tempo suficiente para descarregar os animais e ainda leva-los à beira da lagoa para alimentá-los e dar de beber.
Ao chegar o tropeiro embora estafado, cuidadosamente, conferiu os animais e a carga de cada um. Percebeu então que faltava um dos burros que na pressa de chegar se desgarrou da tropa. Era justamente o que transportava em uma das bruacas a carga mais preciosa, a imagem do Senhor Bom Jesus do Bonfim.
O comerciante de imediato calculou o prejuízo e muito preocupado começou a procurar o animal e apesar do grande esforço e das tochas para clarear a mata não o encontrou. Retorna ao acampamento para descansar e reiniciar as buscas logo ao amanhecer.
Bem antes do nascer do sol, auxiliado por seus ajudantes reiniciou as buscas. O sol já se fazia mediano e a cada hora que passava lhe aumentava a preocupação. Uma intermitente dor de cabeça que havia se manifestado durante a noite mal dormida, tornava-se cada vez mais forte atingindo às raias do insuportável.
Por volta das dez para onze horas o desesperado tropeiro tirou o chapéu e o colou sobre o peito, do lado do coração, se ajoelhou e bem alto pediu: “Meu Senhor Bom Jesus do Bonfim me ajude a encontrar esse burro que está carregando a sua imagem! Se eu encontrar e for de sua vontade vou mandar erguer, aqui mesmo no meio da caatinga, um anteparo e deixar a sua imagem para honra e glória do seu nome e para que seja venerado pelo povo daqui, da ilha e por todos que por aqui passarem, até o fim dos séculos, amém”.
Ao término da prece já não sentia a forte dor de cabeça. Levantou-se e com o ânimo completamente refeito e ainda em plena meditação ouviu o grito de um dos seus ajudantes.
“Achamos... achamos o burro!
Em desabalada carreira passou entre pés de favelas, juremas, caroás e muitas moitas de xiquexique e debaixo de uma delas lá estava o burro e sua valiosa carga.
Marcaram o lugar e voltaram para o acampamento. O chefe do pequeno grupo narrou para todos o extraordinário acontecido, tempo em que pediu ajuda para cortar madeira e palhas de carnaúba e levantaram o prometido abrigo para a imagem.
Antes de partir procurou identificar os poucos moradores do local. A um dos pescadores implorou para que cuidasse daquela milagrosa imagem.
A notícia rapidamente chegou ao povoado maior da Ilha do Miradouro, onde já existia a capela da Senhora Sant’Ana. E por vontade geral, todos se comprometeram em erguer e assim fizeram, no mesmo local, uma nova capela mais resistente aos rigores do tempo.
Em volta da capelinha outras casinhas de pescadores foram surgindo e muitos devotos a cada dia mais propalavam o milagre narrado pelo tropeiro.
A professora Geni Araújo completa sua narrativa declarando:
- O Senhor do Bonfim é o nosso padroeiro e estamos aqui abençoados e debaixo dos vossos pés.
II
Há outra narrativa, esta menos difundida, que se reporta a sui-gêneris acontecimento creditado em especial à imagem do Senhor Bom Jesus do Bonfim.
Ainda estava de pé a primeira capelinha e o lugarejo de Xiquexique se desenvolvia em ritmo vagaroso, mas em constante crescimento. Com diversos moradores com residência fixa já estava bem mais habitado.
Eis que aconteceu uma grande cheia do Rio São Francisco, uma das quais se repete num ciclo de cada trinta anos. Por dedução e nos baseando nas últimas grandes cheias (2009, 1979, 1949, e assim para trás) calcula-se que se vivia o primeiro trimestre do ano de 1799.
Sem nenhuma proteção para contenção das águas, a cada dia ou noite o rio avançava rapidamente e inundava o frágil casario. Há cada cem metros à frente os desabrigados levantavam provisoriamente barracas ou palhoças para a necessária proteção das águas invasoras e das intermitentes e pesadas chuvas. O desespero era tamanho que nem em mutirão conseguiam construir os novos ranchos.
Decidiram então se deslocarem para um local considerado indene a inundações. O local escolhido era conhecido como “Baixinha” onde costumeiramente iam rachar lenha e catar umbu. Na atualidade, lá se localiza o bairro Senhor do Bonfim.
No lufa-lufa do muda que muda, cada qual preocupadíssimo com seus próprios e particulares problemas, por alguns dias nem mesmo as carolas se lembraram da capelinha do Senhor Bom Jesus construída com paredes de taipa e cobertura de palha.
Passado um pequeno período de três a cinco dias, a vida na nova comunidade começava a se organizar e tomar uma natural rotina. Naquela noite não chovia. O céu estava sem nuvens e todo iluminado por uma forte luz de lua cheia. Quase tudo silente; ouvia-se um leve soprar do vento que amenizava os mosquitos e o costumeiro cantar dos grilos e aquela sinfonia dos sapos cururus.
O filho daquele primeiro pescador que ficou encarregado de vigiar a rústica palhoça e de construir uma nova capela para abrigar a imagem do Senhor Bom Jesus, foi o primeiro a se espantar ao ouvir o repicar do sino recentemente instalado na capela com o objetivo de convidar os moradores de Xiquexique para rezarem junto ao Bom Jesus.
A princípio ficou desconfiado e até mesmo pensou que estava em pleno sonho. Confirmou consigo mesmo e ouvia nitidamente que o sino repicava como se fosse alguém convidando o povo ou pedindo socorro para si.
Incrédulo no que ouvia levantou-se muito alvoroçado e gritou bem alto para acordar os demais.
Acorda gente. Parece que tem alguém perdido ou bêbado lá na capela.
Os homens, por cerca de cem metros, correram até à beira do rio. Despoitaram os barcos, acenderam fachos para iluminar o trajeto e com força total remaram no rumo da capela. As mulheres se reuniram e naquela grande dúvida do que estava acontecendo começaram a rezar.
Quando a inusitada comitiva se aproximava da igrejinha percebeu que o sino silenciara. Todos chegaram praticamente ao mesmo tempo, a porta principal forçada pela correnteza das águas estava aberta. O filho do pescador e mais dois colegas que o acompanhavam, adentraram com a canoa e observaram que no interior da capela não havia ninguém. Lá no altar verificaram que o nível da água estava lavando os pés da imagem e assim decidiram retira-la.
Com muito cuidado conduzindo a cruz com a imagem, remando de marcha ré saíram de piloto da capela.
Está tudo em paz, foi só um aviso, pois esquecemos do nosso padroeiro!
Um dos mais velhos entre aqueles pescadores com todo entusiasmo gritou.
Viva o Senhor do Bonfim.
Viva! Viva! Em coro responderam todos.
No íntimo de cada um reinava uma alegria incontida. Muito pensativos retornavam para suas improvisadas casas, todos calados.
Como por encanto a natureza também se calou. Nenhum grilo, sapo ou qualquer outro animal ou inseto se manifestava. Um respeitoso silêncio se juntara ao clarão da lua.
No mesmo instante todos se assustam com um espetacular e uniforme barulho de casa caindo dentro do rio.
Milagre! Milagre! Deus seja louvado. A capela se desmoronou.
Ao desembarcarem no povoado com a imagem erguida nos braços do povo a alvissareira notícia provocou uma explosão de fé com muitas orações. A inesperada confraternização entre todos, da oração passou para um animado samba de roda e deste, para uma bebedeira tamanha que virou a noite e mais o dia seguinte. Todos embriagados pela fé e pelo o álcool em excesso.
Após a ressaca da cheia do Rio São Francisco, todos voltam para a reconstrução de suas casas e dar continuidade à vida do dia a dia com o firme propósito de o mais breve possível, também reconstruírem a morada do Senhor do Bonfim.
Eu e tantos outros xiquexiquenses de nascimento sempre que a oportunidade nos oferece ressaltamos o mais profundo dos orgulhos e nos ufanamos de sermos nativos dessa terra especial. No entanto, ao encerrar estas duas lendas tão bem assumidas por todos que aqui mourejam, cheguei a uma real conclusão:
-Ser xiquexiquense por opção, por livre escolha ou por determinação de uma força maior, talvez seja mais meritório e muito mais nobre do que aquela condição de ser filho nato.
Agora acredito e reconheço que a imagem do Nosso Senhor Bom Jesus do Bonfim é xiquexiquense por opção e livre escolha ou por superior e sagrado ditame do Criador dos Mundos.
Viva nosso padroeiro.
Com o normal comportamento de dois amigos que há muito não se encontram, efusivamente, o cumprimentei com as costumeiras perguntas e observações. A aparência pessoal de Roldão irradiava um notável estado de felicidade. Ele, na atualidade, o único representante em atividade da tradicional família de pintores e artistas plásticos, cuja referência, no passado, se esbarra na pessoa de José Roldão, seguido por Morena, Íris e agora o Roldão (neto) que dentro de sua característica de pessoa observadora, lacônica, é por excelência amável e que transmite, sempre, pensamentos de motivação.
Indaguei qual obra estava ele desenvolvendo. Em resposta fiquei sabendo que havia terminado um trabalho, por encomenda da Prefeitura Municipal de Santa Rita de Cássia – BA. (uma escultura com a imagem da santa na entrada da cidade).
Observei que sua vasta cabeleira estava um pouco mais embranquecida, pelo que, questionei se era em razão do labor. Em resposta, com um leve sorriso, disse-me:
- “É o pincel do tempo”.
Aquela expressão se fixou em minha cabeça a ponto de me provocar divagações sobre o tema.
Meus cabelos cinzentos, hoje pintados pelo “pincel do tempo”, têm a cor da tristeza e representam parte de minhas perdas acontecidas na minha particular vida de dureza.
Em outra oportunidade, o mesmo tema volta a me afrontar.
Para tingir meus cabelos brancos o dito pincel foi umedecido num lago de lágrimas derramadas, sempre no ápice de minhas emoções, justas ou inesperadas, provocadas pela exteriorização de sentimentos incontidos ou explícitos com demonstrações de muito amor, solidariedade, dor ou completo êxtase.
À bem da verdade, cabelos brancos refletem os dias passados, vividos pela matéria e marcados na alma. Traduz o paginado do livro da saudade.
Amanhã se completamente brancos chegarem, refletirão o papel da aprendizagem com o oneroso, embora prazeroso custo imposto pela honestidade e entrecortado com inesquecíveis mechas de felicidade.
Porem, se o pincel da vaidade em outra oportunidade de vida, restabelecer a cor dos cabelos de minha juventude, não desejo que venham sem a experiência de minhas mágoas, das fraquezas de minha sociabilidade e, principalmente, que se apresentem com a mesma firmeza de caráter e o conteúdo de preservação das minhas paixões, dos meus amores, da minha natividade.
Se concedido fosse o direito de escolha, permaneceria por muito mais tempo vivendo esta mesma edição de labuta, com a mesma mente, naturalmente coberta de algodão para pouco pesar sobre o alquebrado físico, apesar de muito mais amadurecido e, aí então, poderia abrir mão de qualquer outra probabilidade de retorno da mesma alma em outro tempo, em nova matéria.
Portanto, a cada dia vivido, mister se faz, para cada um de per si, lembrar-se que a vida é uma dádiva da Graça Divina. Por conseguinte... No caminho por onde passar não plante espinheiros, pois, se houver retorno a ponto de partida, de certo passará pela estrada da sua própria história.
Viva diariamente no aguardo de que seus cabelos brancos construam momentos que possam lhe proporcionar alegria para si e paz para com todos. A sua trajetória você a constrói.
Em cada ato, em cada ação no cotidiano deve ser para lhe engrandecer, sem, contudo, passar por cima dos interesses de terceiros.
Ser coerente, compreensivo, independente, justo, honesto, ético... São ingredientes indispensáveis na fórmula para a textura da tinta misteriosa do tempo na qual, se for concedido a graça, o pincel irá descolorir seus cabelos e ao mesmo tempo expor a cor de sua alma.
Quem sabe!... Assim estará iluminando a sua existência e florindo o seu retorno.
Quem sabe!... O seu passado poderá ser um exemplo de virtudes para seus familiares, amigos e desafetos.
Desejo a todos, muita serenidade nos permitidos momentos a ser vividos em 2012.
Por Carlos Santos | Quando da implantação da Câmara Municipal de Vereadores, (com sete membros eleitos) sendo que, o Presidente da Mesa eleito pelos pares exercia, também, a função de executivo municipal.
Período administrativo - Presidente da Câmara/Executivo Municipal
16/11/1836 a 1838 - Clemente Britoaldo Magalhães
José Antônio Magalhães Barreto
José Rufino de Magalhães.
1843 - José Rufino de Magalhães.
Jose Rufino de Magalhães.
08/01/1845 - Manoel Fulgêncio de Azevedo.
Manoel Fulgêncio de Azevedo
11/04/1849 - Francisco Netto Martins
Antonio Joaquim de Novais Sampaio
Manoel Pereira Bastos
Francisco Netto Martins
1853/1856 - Ernesto Augusto da Rocha Medrado (Coronel)
1857/1860 - Joaquim Estácio da Costa
07/01/1861 a 1864 - Francisco Jose Soares de Carvalho (capitão)
1865/1868 - José Rufino de Magalhães.
1869/1872 - José Rufino de Magalhães
1873/1876 - Joaquim Estácio da Rocha
1877 - Joaquim Batista Avelino.
1885 - Jacó Pereira Bastos da Mata (Presidente interino)
João da Mata Cardoso
Antônio Joaquim de Magalhães
José Neto Magalhães
Após 15/11/1889 – tem inicio o período republicano
Obs.
Em 1882 incendiaram o prédio da Câmara Municipal e durante o período de 1878 a 1883 funcionaram, irregularmente, duas Câmaras (uma para cada facção política da época). Todos os detalhes estão narrados na magnífica obra do Professor Cassimiro Machado Neto.
Em 24/02/1891 entra em vigor a primeira Constituição Republicana. Substitui as Câmaras Municipais pelo Conselho Municipal e cria a figura dos intendentes municipais eleitos pelo povo até 1912 e na sequência nomeados pelo governador do Estado.
PERÍODO REPUBLICANO - INTENDENTES
28/05/1900
15/12/1889 a 10/04/1890 - Gustavo Costa
10/04/1890 a 28/05/1892 - Reginaldo Gomes Lima
28/05/1892 a 28/05/1896 - Antônio Martins Santiago (O 1° a ser eleito para um período de 4 anos)
28/05/1896 a 28/05/1900 - Romualdo da Cruz
28/05/1900 a 28/05/1904 - Praxedes Xavier Rocha.
28/04/1904/28/05/1908 - Francisco José Correia
28/05/1908 a 28/05/1912 - Francisco Martins Santiago
28/05/1912 a 25/04/1916 - p.191 - Agrário de Magalhães Avelino
25/04/1916 a 19/07/1918 - p.206 - Cyro de Medeiros Borges. (pediu afastamento para tratamento de saúde.
19/07/1918 a 22/12/1918 - p.215 - Gustavo Pinheiro de Alcântara (nomeado)
22/12/1918 a 18/04/1920 - p.220 - Lindolpho de França Bastos (nomeado)
18/04/1920 a 22/12/1922 - p.226 - Francisco Xavier Guimarães (nomeado)
22/12/1922 a 30/07/1923 - Genuino Carvalho dos Santos (Assumiu por doença de Francisco X. Guimarães).
30/07/1923 a 02/04/1924 - p.240 - Francisco Xavier Guimarães. (nomeado)
02/04/1924 a 10/06/1924 - p.244 - Manoel Teixeira de Carvalho (nomeado).
10/06/1924 a 06/10/1924 - p.248 - José Adolpho de Campos Magalhães.
06/10/1924 a 10/04/1928 - p.250 - Manoel Teixeira de Carvalho.
10/04/1928 a 20/11/1930 - p.273 - Manoel Teixeira de Carvalho
A PARTIR DE 1930 O ADMINISTRADOR PASSA A SER DENOMINADO DE PREFEITO MUNICIPAL
PREFEITOS NOMEADOS
28/11/1930 a 05/06/1938 - P.288 - Jose de Souza Nogueira
05/06/1938 a 30/11/1938 - P. 340 - Francisco Xavier Guimarães (3° mandato)
30/11/1938 a 20/09/1941 - Lithercilio Baptista da Rocha
20/09/1941 a 10/06/1943 - Antonio Justiniano de Souza
10/06/1943 a 25/01/1945 - Tulio Mendes da Silva
25/01/1945 a 10/11/1945 - Adão Moreira Bastos
10/11/1945 a 02/01/1946 - José Manoel Viana de Castro (acumulou os cargos de Juiz e Prefeito)
20/01/1946 a 10/04/1946 - Naylor de Souza Nogueira
10/04/1946 a 25/08/1946 - Adão Moreira Bastos
25/08/1946 a 28/09/1946 - Naylor de Souza Nogueira
28/09/1946 a 12/12/1947 - Custodio B Moraes
12/12/1947 a 16/01/1948 - P. 435 - Francisco Emereciano da Cruz







