30 de outubro de 2018

Saudação à Bandeira

Imagem meramente ilustrativa.

Carlos Santos | Reorganizando meu velho arquivo, encontrei uma fita K7 sem a devida identificação do conteúdo. Ao ouvi-la deparei-me com um pronunciamento feito no Lions Clube de Xiquexique, em 26/07/1997.
 
Considerando a atualidade resolvi transcrevê-lo, e agora publicá-lo.

 

Saudar significa, entre outros, cumprimentar. E por esta saudação, aceitem os nossos cumprimentos.

Saudar, também se pode traduzir por jubilar. Aproveitamos, então, a oportunidade para externarmos com júbilo a nossa saudação à diretoria que ora encerra seu período administrativo e à diretoria que ora toma posse na esperança de que, a afinidade existente entre os dois companheiros presidentes não deverá sofrer solução de continuidade e para grandeza do clube almejamos que ambos os períodos transformem-se em um só, profícuo e dadivoso.

 

Saudar, enfim, é cortejar. E, por resolução do companheiro presidente Tercio Bessa, nesta noite, no cerimonial de Assembléia de Posse adapta-se o ato cívico de prestarmos as homenagens aos pavilhões aqui hasteados. E assim, todos nós companheiros, domadoras e convidados, cortejamos os nossos símbolos, no sentido de renascer, reavivar e ressaltar os nossos sentimentos de nativismo.

Antes, porém, permita-nos, ‘devagar’, quer dizer, vagarosamente divagar, viajar na apologia dos múltiplos significados da palavra BANDEIRA.

 

No idioma português, e especialmente no Brasil, as palavras tomam significados diversos e por demais distintos. Entre os brasileiros, as portas e janelas têm bandeiras. Táxi tem bandeira. Postos de combustíveis têm bandeiras.

Na história do Brasil, BANDEIRAS também, foram as expedições armadas e oficiais do século XVI que juntamente com as expedições particulares denominadas de ENTRADAS, desbravavam, naquela época, um mundo desconhecido, transformando-o em nosso atual território nacional.

 

BANDEIRA de tantos significados, aos quais não podemos a todos alcançar, sob pena de darmos “bandeira” ou ficarmos “desbandeirados”.

Na determinação do companheiro presidente, as nossas considerações devem ser dirigidas às bandeiras do Brasil, da Bahia e de Xiquexique. Bandeiras que são ao mesmo tempo, Bandeiras Mercantes e Bandeiras de Guerra. Outras comunidades as têm diferenciadas para que possam identificar, principalmente os seus navios das diversas frotas que singram [navegam] pelos mares em tempos de guerra ou paz.

 

Aqui estamos com a função de reverenciarmos a BANDEIRA, que é também PENDÃO. Pendão é o distintivo que sempre se ostenta em lugar de pleno destaque, a exemplo da inflorescência masculina do pé de milho, que no seu ápice desabrocha, em sinal de maturidade.

Pendão que o nosso poeta maior Castro Alves, referindo-se à nossa Bandeira Nacional declamou com delicadeza e respeito: "Auriverde Pendão da minha terra, que a brisa do Brasil, beija e balança”.

 

Entretanto, em outros versos referindo-se a uma nação traficante de escravos, assim escreveu. “Existe um povo que a Bandeira empresta, p’ra cobrir tanta infâmia e covardia”. (Referindo-se a Portugal).

 

Pendão que o não menos festejado Olavo Bilac, poetizou ao escrever o Hino à Bandeira: “Salve, lindo Pendão da esperança. Salve, símbolo augusto da paz”. Hino este que obrigatoriamente o entoamos com alegria no início das nossas reuniões.

 

E hoje, aqui estamos, em estado de oração, para sublimar as nossas Bandeiras, as nossas flâmulas, os nossos estandartes, os nossos pavilhões, os nossos lábaros.

 

Estamos aqui, para repetirmos tantas quantas vezes for necessárias as proféticas palavras de Joaquim Osório Duque de Estrada que, ao escrever os versos do Hino Nacional Brasileiro, deixou estereotipado uma estrofe portadora de pura sabedoria divina. E declara: “Brasil de amor eterno seja símbolo o Lábaro que ostenta estrelado. E diga o verde-louro desta flâmula, paz no futuro e glória no passado”.

 

A homenagem do letrista não poderia ser mais feliz. E por ela, todos nós entoamos esta declaração de harmonia, sempre pedindo para que a nossa Bandeira dentro do azul celeste e estrelado; do verde e do amarelo de significados tão difundidos e entendidos pelos verdadeiros amantes desta terra, que é também dita e reconhecida de varonil, seja sempre o nosso Pendão da Esperança.

 

Entre os pavilhões aqui hasteados, permitam-nos uma mensagem de caráter especial e de cunho particular, deste inveterado e incorrigível amante de Xiquexique.

 

Ante o símbolo do nosso Município é como se me encontrasse diante de mim mesmo. Porque nesta bandeira, há um pouco da nossa visão a respeito desta querida terra. Este estandarte é o símbolo desta terra. E esta terra sou eu. Esta terra somos nós. Esta terra é nossa família. Esta terra é esta assembleia.

 

Esta bandeira representa Xiquexique, e aqui e agora, nós somos esta bandeira de tão digna representação. Para nós, Xiquexique tudo representa. É o rio que nos alimenta; é o sol que nos encanta; é a juventude a procura do futuro, são os adultos promovendo o bom viver, a hospitalidade, trabalhando e divisando o progresso. É o passado que ficou, é o presente que exige decisões coerentes, é o futuro que virá revestido de todas as nossas bandeiras defendidas no passado.

 

Bandeira de Xiquexique, símbolo vivo do nosso torrão natal, que palpita grandeza, que geme miséria e transborda alegria.

 

Na história de Xiquexique estão os nossos ancestrais: vultos que sempre promoveram a mansuetude comunitária. Xiquexique, repito, somos nós. Xiquexique serão nossos filhos, netos, enfim, nossos descendentes os quais esperamos, sejam no futuro bandeiras ascendentes.

 

Bandeira de Xiquexique que em suas cores homenageia o Brasil e a Bahia e que em seu significado heráldico, nos traduz: pelo verde, as nossas atividades rurais e ainda o cacto do qual se origina o topônimo – Xiquexique. O Amarelo reporta-nos às riquezas minerais do nosso solo e a luz de fé e da intelectualidade do nosso povo. O azul é a expressiva importância do Rio São Francisco na história do nosso povo. O Branco é a pureza dos costumes que gera e garante a paz. Representa também as virtudes teologais: Fé, Esperança e Caridade. Por fim, o vermelho representando o amor e o sacrifício do povo xiquexiquense em prol do progresso e desenvolvimento do município.

 

Todas as bandeiras do mundo, multicoloridas e representativas das nações civilizadas ou não, quedam-se desfalecidas quando diante de um simples pedaço de pano branco que é a bandeira internacional do socorro, do rendimento, da paz, da harmonia, da liberdade, da igualdade e da fraternidade.

 

Que nossas bandeiras sejam sempre respeitadas, como de igual é uma BANDEIRA BRANCA.

 

*Discurso proferido em 1997, e transcrito em 2005.